Digimais: Crise de Crédito Revelada e Riscos Bilionários no Mercado Automotivo

Digimais e o Financiamento de Veículos: Um Cenário de Riscos
O banco Digimais, conhecido principalmente por seu financiamento de veículos, tem atraído atenção devido a práticas que envolvem a oferta de crédito para consumidores com histórico de endividamento e para a aquisição de veículos mais antigos. Vendedores de automóveis relatam que o Digimais aceita avaliar veículos usados e de baixo valor, oferecendo condições de financiamento com taxas de juros elevadas.
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Em dezembro de 2025, o banco ocupou a quarta posição em uma lista do Banco Central, com taxas de juros de 2,97% ao mês e 41,07% ao ano. Essa modalidade de financiamento, que se distancia das estratégias dos bancos tradicionais, que costumam evitar riscos de inadimplência, representou 94% das operações do Digimais em 2021.
Evolução do Negócio
Ao longo dos anos, o financiamento de veículos diminuiu a fatia total da carteira de crédito do Digimais, passando a representar 52%, conforme dados apresentados ao Banco Central. Essa mudança ocorreu com a venda de carteiras de crédito para fundos de investimento, como o Tabor.
O Tabor, um dos fundos que adquiriu essas carteiras, enfrentava altos níveis de inadimplência. Em abril de 2026, o fundo registrava R$ 960 milhões em dívidas, com R$ 575 milhões (59,9%) já em atraso. Uma parcela significativa dessas dívidas, superior a R$ 200 milhões, estava em atraso por até dois anos.
Perdas e Controvérsias
Em dezembro de 2025, o Digimais reportou créditos vencidos no valor de R$ 366 milhões em financiamentos de veículos. No entanto, o fundo Tabor já apresentava R$ 479 milhões em inadimplência. Essas perdas não foram detalhadas nas demonstrações financeiras do banco.
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Alexandre Ripamonti, especialista em perícia contábil, ressaltou que, em situações de alta inadimplência em FIDC (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios), o encerramento do fundo é uma medida comum. “Dificilmente esse dinheiro será recuperado”, afirmou.
Estruturas Financeiras e Transações
Gabriel Uarian, analista de investimentos, apontou que o uso de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) dessa forma não é usual. “O banco suspendeu originação de novos financiamentos e passou a fazer cessões de direitos creditórios agressivas para fundos e outras estruturas. Isso não é normal em bancos bem geridos”, disse.
A holding de Edir Macedo também adquiriu R$ 741 milhões das cotas de um FIDC chamado Hermon, que possui um ativo de indenização judicial referente a uma encampação da Companhia de Mineração e Siderurgia, ocorrida em 1940. A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas, e o fundo estima receber R$ 2,2 bilhões, embora o cálculo do pagamento seja controverso e possa levar anos para ser resolvido.
Negociações e Futuro
Nos últimos meses, o Digimais tem sido alvo de negociações com o BTG Pactual, que demonstrou interesse na carteira de clientes do banco. A aquisição ainda está em fase de negociação e depende de condições precedentes e de um processo competitivo, com possível participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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