USP Cria Grupo de Trabalho para Cotas de Pessoas com Deficiência em Universidades

USP Cria Grupo de Trabalho para Implementar Cotas para Pessoas com Deficiência
A Universidade de São Paulo (USP) deu um passo importante na inclusão com a criação de um grupo de trabalho dedicado à implementação de cotas para estudantes com deficiência. A iniciativa, publicada em julho de 2025, estabelece a reserva de vagas nos cursos técnicos e de graduação da instituição.
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Essa medida entrará em vigor nos processos do Provão Paulista e do Enem-USP, a partir de 2027, para ingresso em 2028.
Relevância da Iniciativa
A coordenadora de políticas públicas do Instituto Rodrigo Mendes, Karolyne Ferreira, destaca o potencial da medida para reduzir anos de exclusão para esse público. Ela ressalta que, historicamente, pessoas com deficiência foram marginalizadas no acesso à educação, assim como outros grupos minoritários.
A criação do grupo de trabalho representa um avanço na busca por equidade e inclusão.
Barreiras na Educação
O processo educacional para pessoas com deficiência frequentemente enfrenta desafios significativos. O capacitismo, a crença de que indivíduos com deficiência são incapazes de desenvolverem-se de forma autônoma, é um obstáculo. Além disso, a falta de acessibilidade arquitetônica, comunicacional e pedagógica dificulta a participação plena dos estudantes. É crucial que o grupo de trabalho considere essas barreiras para propor soluções eficazes.
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Critérios e Avaliação Biopsicossocial
O grupo de trabalho terá 120 dias para analisar os dispositivos legais, discutir os critérios para a reserva de vagas e elaborar a minuta da resolução. Karolyne Ferreira defende a utilização da avaliação biopsicossocial como ferramenta fundamental para reconhecer quem é uma pessoa com deficiência.
Essa avaliação considera não apenas o diagnóstico clínico, mas também as dificuldades e barreiras enfrentadas pela pessoa no seu dia a dia.
Acessibilidade e Necessidades Individuais
Ana Claudia de Figueiredo, diretora executiva da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, enfatiza a importância de avaliar as acessibilidades arquitetônica, comunicacional e pedagógica para garantir condições iguais para pessoas com deficiência.
Ela ressalta que as necessidades de apoio podem variar significativamente entre indivíduos com o mesmo diagnóstico. O grupo de trabalho deve considerar essa diversidade para evitar exigências excessivas e garantir que cada estudante receba o suporte adequado.
Demandas e Participação da Comunidade
As discussões do grupo de trabalho envolverão representantes da Pró-Reitoria de Graduação, da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, de coletivos de pessoas com deficiência da USP e de especialistas no assunto. O Coletivo PcD da USP Laureane Costa, liderado por Jéssica Delcarro, uma doutoranda com baixa visão, representa os interesses dos estudantes com deficiência.
A participação ativa da comunidade universitária é essencial para garantir que as necessidades dos estudantes sejam atendidas.
Jéssica Delcarro destaca a necessidade de adaptações em sala de aula, como a maior escrita no quadro, iluminação adequada e marcação de piso tátil. O movimento estudantil auxilia os alunos no diálogo com a gestão e promove reuniões periódicas para atender às demandas.
A USP, ao criar o grupo de trabalho, demonstra um compromisso com a inclusão e a garantia de oportunidades para todos os estudantes.
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