USA Rare Earth compra Serra Verde e domina o mercado global de terras raras?

USA Rare Earth Consolida Posição Global com Aquisição do Grupo Serra Verde
A USA Rare Earth deixou de ser apenas mais uma startup no setor de minerais críticos. A empresa se estabeleceu como peça central na disputa mundial por terras raras após anunciar a compra do Grupo Serra Verde, no Brasil, por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.
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Esta aquisição, comunicada ao mercado no início desta semana, permite que a companhia norte-americana assuma o controle da única operação de grande escala fora da Ásia capaz de produzir quatro elementos magnéticos essenciais: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Perfil e Estratégia da Empresa
A USA Rare Earth, listada na Nasdaq, é uma empresa privada fundada em 2019. Seu propósito inicial era diminuir a dependência ocidental em relação à China. A USAR se posiciona como um negócio de tecnologia de ímãs com integração vertical, visando atuar em toda a cadeia produtiva, desde a extração mineral até o produto final.
Construindo uma Cadeia Completa
O objetivo declarado da companhia é edificar uma plataforma que vai “da mina ao ímã e além”. Essa estrutura visa suprir setores vitais como veículos elétricos, energia renovável, defesa, semicondutores e eletrônicos. Isso implica estruturar uma cadeia completa, abrangendo mineração, processamento de metais e ligas por meio de sua subsidiária no Reino Unido (Less Common Metals), e a fabricação de ímãs permanentes em Oklahoma, na sede da empresa, no sul dos EUA.
Ampliando o Escopo Operacional
Além disso, a empresa mantém atividades de pesquisa e desenvolvimento no Colorado, na costa oeste americana, e expande sua presença internacional com parcerias industriais, especialmente na Europa. O foco central dessa estratégia reside nos ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro (NdFeB), reconhecidos como os mais potentes do mercado.
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Esses componentes são cruciais para tecnologias de alta performance, desde motores de carros elétricos até turbinas eólicas e sistemas aeroespaciais.
Desafios e Investimentos Governamentais
Apesar do discurso ambicioso e da relevância estratégica, a USAR ainda está em fase de consolidação. A empresa, listada em bolsa desde o ano passado, encerrou 2025 com uma receita modesta de US$ 1,64 milhão e um prejuízo líquido ajustado de US$ 80 milhões, o que reflete seu estágio inicial de operação e os altos investimentos realizados.
Apoio Governamental e Questionamentos Políticos
Em janeiro deste ano, o governo americano anunciou um aporte de US$ 1,6 bilhão na companhia, por meio de empréstimos e participação acionária. Isso faz parte de um plano maior de Washington para fortalecer as cadeias domésticas de minerais críticos.
Contudo, esse laço com o governo gerou questionamentos políticos, com parlamentares democratas levantando dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo instituições financeiras ligadas a membros do governo.
Aceleração da Consolidação e Impacto do Negócio Brasileiro
Desde o início do ano, a USAR tem acelerado sua estratégia de consolidação. Em março, a empresa adquiriu a Texas Mineral Resources, garantindo controle total sobre o projeto Round Top, no Texas. Este local é considerado um dos principais depósitos de terras raras pesadas dos EUA, com produção comercial prevista para 2028.
O Significado da Aquisição no Brasil
Ao incorporar o Grupo Serra Verde, já operacional e com capacidade única fora da Ásia, a USAR reforçou seu plano de criar uma cadeia de suprimentos completa fora da China, que detém cerca de 90% da oferta global processada. Com o negócio, a empresa passará a controlar integralmente a mina de terras raras Pela Ema e a planta de processamento em Goiás, a única operação em escala fora da Ásia para produzir neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Perspectivas Futuras e Reação do Mercado
A expectativa é que o Serra Verde atinja um EBITDA anualizado entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões até o final de 2027, podendo chegar a US$ 1,8 bilhão com a empresa combinada até 2030. O fechamento da transação está previsto para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias.
Desde o anúncio, as ações da USA Rare Earth na Nasdaq tiveram alta expressiva, subindo quase 25% em relação ao valor anterior. Analistas apontam que o acordo reforça a visão de que a oferta ocidental, especialmente a brasileira, se tornará um ator mais relevante no mercado, dada a necessidade de diversificação de um setor altamente concentrado.
Visão de Independência dos EUA
Em entrevista à Bloomberg, a CEO da USAR, Barbara Humpton, afirmou que a compra do Grupo Serra Verde é um passo em direção à independência dos EUA em relação à China no setor de metais de terras raras. Segundo ela, “Estamos apenas no início disso”.
A executiva também detalhou que a USA Rare Earth planeja aumentar sua produção nacional utilizando as operações no Texas, as unidades de separação no Colorado e a fábrica de ímãs em Oklahoma, focando no crescimento orgânico para garantir um fornecimento confiável aos fabricantes de ímãs.
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