Testosterona em Debate: Novo Uso e Riscos Revelados pela FDA

A terapia com testosterona está novamente em evidência, gerando discussões intensas entre médicos e cientistas. A proposta de expandir o uso do hormônio para além dos casos de deficiência hormonal comprovada levanta questões sobre a real necessidade do tratamento e seus potenciais riscos.
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O debate ganhou força após um painel da Food and Drug Administration (FDA) sugerir mudanças que poderiam facilitar o acesso ao hormônio, considerando-o, para alguns participantes, um elemento chave na prevenção de doenças.
Quando a Reposição de Testosterona é Indicada?
Atualmente, o tratamento é primariamente recomendado para homens diagnosticados com hipogonadismo, uma condição médica que resulta na produção insuficiente de testosterona. No entanto, o uso fora desse contexto é mais controverso. Alguns médicos defendem que homens que apresentam sintomas como fadiga e irritabilidade poderiam se beneficiar da terapia, enquanto outros argumentam que mudanças no estilo de vida, como prática de atividade física e melhora do sono, seriam suficientes para restaurar os níveis hormonais.
Benefícios da Testosterona: Evidências Científicas
As pesquisas indicam que o principal efeito da reposição hormonal está relacionado à função sexual. Um estudo da TRAVERSE, que acompanhou cerca de 5.200 homens com baixa testosterona e alto risco cardiovascular, revelou um aumento de 25% na atividade sexual nos homens tratados com o hormônio, em comparação com o grupo placebo.
Além disso, houve uma melhora no desejo sexual, embora a função erétil não tenha apresentado diferenças significativas.
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Uma revisão realizada pela Sociedade de Endocrinologia concluiu que a testosterona pode melhorar a função sexual, a satisfação e o desejo entre homens com níveis reduzidos do hormônio, embora não haja evidências de impacto significativo em energia, humor ou capacidade de raciocínio.
Pesquisas adicionais apontam para o potencial da terapia na densidade óssea e no combate à anemia.
Riscos Associados ao Uso da Testosterona
O uso inadequado ou em doses elevadas pode trazer riscos significativos à saúde. Entre os efeitos associados, destacam-se a infertilidade, alterações cardiovasculares, desequilíbrios hormonais e efeitos neuropsiquiátricos, como irritabilidade. Estudos sugerem que a reposição em níveis fisiológicos não aumenta significativamente o risco de eventos cardíacos graves.
Ainda assim, especialistas alertam que doses acima do recomendado apresentam riscos mais elevados. É importante ressaltar que a testosterona pode afetar a saúde mental, causando alterações no humor e na irritabilidade.
Uso em Mulheres e Grupos Específicos
No caso de mulheres, a principal indicação com evidência científica é o tratamento do baixo desejo sexual após a menopausa. No entanto, os benefícios são considerados modestos e devem ser avaliados individualmente. Doses elevadas podem causar efeitos colaterais como acne, aumento de pelos, alterações na voz e mudanças no humor.
Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda não há consenso sobre o uso ampliado da testosterona como estratégia preventiva. Homens mais velhos com baixa testosterona apresentam maior risco de AVC, demência e outras doenças neurodegenerativas. No entanto, não está comprovado que a reposição reduza esses riscos em pessoas sem sintomas.
A principal incerteza científica reside em determinar se tratar indivíduos assintomáticos traria benefícios reais à saúde a longo prazo, uma questão que ainda depende de estudos mais amplos.
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