Solange Srour Alerta: Juros Altos e Crise Fiscal Ameaçam Brasil em 2026

Juros Longos e a Crise Fiscal Brasileira: Análise de Solange Srour
O debate sobre a saúde da economia brasileira tem se concentrado intensamente na relação entre política fiscal e juros de longo prazo. A especialista em gestão de investimentos Solange Srour, em análise recente para o UBS Wealth Management, aponta um problema estrutural: as metas de superávit primário estabelecidas pelo governo não são suficientes para controlar a trajetória da dívida pública.
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A complexidade da situação reside em dois componentes que influenciam as taxas de juros longos.
Srour detalha que a taxa de juros de longo prazo é composta pela expectativa de política monetária futura e pelo “prêmio de risco”, que reflete a percepção de incerteza sobre a economia. Nos Estados Unidos, o recente aumento das taxas de juros não indica uma perda de confiança na política fiscal americana, mas sim uma reavaliação da política monetária e da expectativa de que o juro neutro seja mais elevado, impulsionado por mudanças tecnológicas e outros fatores.
No Brasil, a situação é diferente.
Aumento das Taxas e Perda de Credibilidade
Desde o final de 2024, o Brasil tem observado um aumento significativo nas taxas de juros de longo prazo, diretamente ligado a uma crescente desconfiança na política fiscal do país. Srour enfatiza que iniciativas implementadas nesse período contribuíram para piorar as perspectivas de estabilidade da dívida. “Esse aumento da taxa de juros longa que aconteceu desde o final de 2024 tem a ver sim com uma perda de credibilidade da política fiscal”, declarou.
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Reformas Urgentes para Estabilizar a Dívida
A analista argumenta que choques fiscais positivos, como o teto de gastos e a reforma da Previdência, foram capazes de reduzir o prêmio de risco. Ela defende que apenas uma reforma abrangente seria capaz de reduzir o juro real brasileiro, atualmente em torno de 7,5% ao ano, para um patamar próximo de 5,5%.
Entre as reformas necessárias, Srour destaca a reforma da previdência administrativa e outras medidas de ajuste fiscal.
Ajuste Fiscal Necessário
Para estabilizar a dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), Srour estima que seria necessário um ajuste fiscal da ordem de 3,5% a 4% do PIB. “A gente tem metas de superávit primário muito pouco ambiciosas, que não estabilizam a dívida”, afirmou.
Ela ressalta que as projeções otimistas que apontam para a estabilização da dívida pressupõem um crescimento do PIB de 3% a 3,5% e juros reais de 4% a 4,5% — condições que não correspondem à realidade atual, com juros reais em 7,5%.
Risco de Postergar o Ajuste
Srour alerta que adiar o ajuste fiscal agravaria o problema no futuro. Em um cenário de juros globais estruturalmente mais elevados, o custo de oportunidade para investidores aumenta, e a exigência de superávit primário para estabilizar a dívida tende a crescer. “O Brasil está com o fundamento fiscal desajustado e o juro real aqui não vai cair com pequenos ajustes, porque isso historicamente nunca aconteceu”, concluiu.
A analista também descarta a hipótese de reduzir artificialmente a taxa Selic como solução para aliviar o custo da dívida, argumentando que isso atrairia investidores para títulos de longo prazo, pressionando ainda mais o prêmio de risco.
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