Sarita Vollnhofer alerta: IA causa ansiedade e solidão no futuro do trabalho

IA causa ansiedade e solidão no trabalho? Sarita Vollnhofer alerta sobre o futuro do trabalho e o desafio da conexão humana no RH Summit. Saiba mais!

10/05/2026 12:40

4 min

Sarita Vollnhofer alerta: IA causa ansiedade e solidão no futuro do trabalho
(Imagem de reprodução da internet).

A Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho: Um Olhar Crítico

A inteligência artificial (IA) já se tornou uma realidade presente nas rotinas de diversas empresas, impulsionando a automação de tarefas, acelerando pesquisas, otimizando a organização de dados e, consequentemente, reduzindo o tempo de execução de processos.

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No entanto, para Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice, essa transformação traz consigo um efeito adicional, cada vez mais evidente nos Recursos Humanos: o aumento da ansiedade e da solidão no ambiente de trabalho. Essa preocupação foi levantada durante o RH Summit, realizado entre os dias 5 e 6 de maio no Expo Center Norte, em São Paulo, um evento que reuniu cerca de 6.000 participantes e colocou a IA, a saúde mental e a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) como pilares da agenda de RH neste ano.

O Desafio da Conexão Humana na Era da IA

Sarita participou de um painel sobre os impactos da IA no bem-estar dos funcionários, destacando que a tecnologia não pode mais ser vista como um projeto isolado de inovação. “As empresas precisam tratar a inteligência artificial como uma transformação organizacional e cultural”, afirmou. “É um novo jeito de trabalhar, um novo jeito de viver e de pensar.” A executiva enfatizou que o principal desafio das empresas reside em preservar a conexão humana dentro desse novo ambiente, questionando como garantir que as pessoas não percam a conexão com o seu trabalho e como elas continuarão se sentindo parte de uma equipe.

Eficiência e Pressão: Um Equilíbrio Delicado

Durante o painel, Sarita citou um estudo da Universidade de Berkeley que aponta um efeito contraditório da IA sobre o trabalho: por um lado, as pessoas ganham eficiência, mas a carga de trabalho também aumenta. Isso ocorre porque a interação com ferramentas de IA cria novas tarefas, novas demandas e novas expectativas de produtividade.

Além da automação, profissionais precisam aprender novas ferramentas, rever processos e adaptar suas funções constantemente, gerando ansiedade em muitas equipes. A executiva ressaltou que a discussão já deixou de ser apenas sobre aprender ferramentas, mas sobre redesenhar o jeito de trabalhar.

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Redefinindo o Trabalho e o Bem-Estar

Sarita defende que as empresas precisam reconhecer que a transformação tecnológica gera desconforto emocional. “Ninguém gosta de mudar. Mudança gera desconforto.” A solidão se tornou um problema de saúde corporativa, exacerbada pela hiperconexão com ferramentas de IA, que reduz as trocas humanas do dia a dia.

A empresa Alice criou uma trilha interna chamada “AcelerAI” para ampliar o uso de inteligência artificial, com o objetivo de tornar 100% das áreas de negócio fluentes em IA até agosto. A empresa estruturou cursos, treinamentos e projetos práticos para acelerar a adoção das ferramentas, com a mensagem clara de que os funcionários precisam ser proficientes em inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, a empresa tenta reduzir a sensação de ameaça entre os funcionários, oferecendo recursos para ajudar nessa transformação.

NR-1 e a Responsabilidade Social das Empresas

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) chega em um momento importante, com a atualização da legislação acompanhando o avanço da IA. A norma amplia a responsabilidade das empresas sobre riscos psicossociais e saúde mental no ambiente de trabalho. Para Sarita, a atualização chegou num momento crucial, em que será preciso ter muito cuidado com o impacto das tecnologias na saúde mental.

Muitas empresas ainda tratam a NR-1 como uma obrigação burocrática, enxergando-a como um checklist. A executiva enfatiza que a norma pode ajudar empresas a identificar problemas concretos ligados a sobrecarga, gestão, comunicação e clima organizacional, mapeando gestão de pessoas, comunicação, transparência e sobrecarga.

A principal mudança está no uso de dados mais detalhados para entender onde estão os problemas reais das empresas.

Saúde Corporativa: Uma Nova Perspectiva

A Alice projeta alcançar 100.000 membros e faturamento de R$ 1 bilhão. Segundo Sarita, parte desse crescimento vem da mudança na forma como empresas passaram a olhar saúde corporativa. “Cada vez mais empresas estão buscando alternativas.” A empresa trabalha com acompanhamento individualizado dos usuários do plano de saúde, incluindo classificação de risco e gestão preventiva de cuidados.

A ideia é reduzir burocracia e antecipar problemas de saúde antes que eles se agravem. A empresa também tenta atuar junto aos RHs na leitura de dados populacionais sobre saúde física e mental. A avaliação dela é que o papel do RH mudou nos últimos anos. “Saúde deixou de ser benefício passivo.” Agora, afirma, o tema passou a fazer parte das decisões de gestão, produtividade e desenvolvimento profissional dentro das empresas.

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