Rubio lança crítica à política de Trump sobre Cuba e propõe nova rota

Rubio Apresenta Proposta de Trump para Relações com Cuba
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, lançou nesta quarta-feira, 20, uma crítica contundente à política do presidente Donald Trump em relação à Cuba. Em um vídeo divulgado online, Rubio direcionou sua mensagem diretamente aos “cubanos comuns”, argumentando que a proposta de Trump representa uma “nova via” de relacionamento, focada em mudanças econômicas e em romper com o controle exercido pelo conglomerado militar Gaesa, liderado pelo ex-presidente Raúl Castro.
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A declaração surge em um momento de crescente tensão entre os dois países.
Críticas à Gestão de Gaesa
Rubio enfatizou que a atual crise econômica e humanitária em Cuba está intrinsecamente ligada à atuação da Gaesa. Ele descreveu a situação como resultado da falta de controle e da má gestão dos recursos do país. O secretário de Estado apontou a escassez de eletricidade, combustível e alimentos como evidências da ineficiência do governo cubano, ressaltando que os recursos estariam sendo desviados enquanto a população enfrentava dificuldades extremas.
A mensagem de Rubio busca, portanto, apresentar uma alternativa à gestão vigente.
Fim do Fornecimento de Petróleo
Além disso, Rubio mencionou o fim do fornecimento subsidiado de petróleo da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por ordem de Washington em janeiro. Ele acusou integrantes da elite militar cubana de utilizar esses recursos para fins próprios, enquanto exigem “sacrifícios” da população.
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A referência ao fim do fornecimento de petróleo é um ponto central na estratégia de pressão dos Estados Unidos contra a ilha.
Modelo Econômico Proposto
O secretário de Estado defendeu um modelo econômico com maior abertura para empreendedores privados em Cuba, citando exemplos de países como Jamaica, República Dominicana e Bahamas. “O presidente Trump oferece uma nova via (de relações) entre os EUA e uma nova Cuba.
Uma nova Cuba onde vocês, os cubanos comuns, e não apenas o Gaesa, possam ser donos de um posto de gasolina, de uma loja de roupas ou de um restaurante”, declarou Rubio, apresentando a proposta como uma oportunidade para a população cubana.
Reação do Governo Cubano
A fala de Rubio gerou uma reação imediata do governo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez classificou o secretário de Estado como “porta-voz de interesses corruptos e revanchistas” e acusou Washington de ampliar os danos econômicos ao povo cubano.
Segundo Rodríguez, Rubio repete um “roteiro mentiroso” ao responsabilizar Havana pela crise na ilha.
Críticas à Representatividade de Rubio
O ministro afirmou ainda que Rubio representa setores políticos ligados ao sul da Flórida e não a maioria dos cubanos residentes nos Estados Unidos. A declaração reflete a percepção de que a voz de Rubio não representa a diversidade de opiniões dentro da comunidade cubana nos Estados Unidos.
Tensões e Expectativas
A manifestação do secretário de Estado ocorre em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre Cuba. O governo Trump anunciou novas sanções contra autoridades cubanas e contra o conglomerado Gaesa, além de ameaças de ampliar medidas econômicas contra a ilha.
Existe também expectativa de que o Departamento de Justiça dos EUA formalize acusações contra o ex-presidente Raúl Castro, de 94 anos, em investigação relacionada à derrubada de aviões da organização Irmãos ao Resgate, em 1996.
Celebrações do Exílio e a Contradição Histórica
O anúncio pode ocorrer durante as celebrações do exílio cubano em Miami pelo 20 de maio, data tratada por grupos opositores como o Dia da Independência de Cuba. O governo cubano mantém posição contrária à celebração. Bruno Rodríguez classificou a data como “nefasta” e afirmou que ela marcou o início de um período “neocolonial” de dependência dos Estados Unidos.
O chanceler cubano afirmou que “a independência e a soberania” representam o presente e o futuro da ilha, em referência à Emenda Platt, dispositivo que autorizava interferência dos EUA em assuntos internos cubanos no início do século 20.
Díaz-Canel também criticou a data nas redes sociais. Segundo ele, o 20 de maio representa “intervenção, ingerência, espoliação e frustração” na história de Cuba. O chanceler cubano declarou ainda que setores favoráveis ao retorno de uma “república tutelada” pelos Estados Unidos permanecem ativos, mas afirmou que o sentimento anti-imperialista segue predominante entre os cubanos.
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