Refugiados Contam Horrores em Tiné, Chade Após Massacres e Violência

Refugiados Contam Horrores em Tiné, Chade
Após onze dias de viagem, o adolescente Munir Abderahman finalmente chegou ao Chade, buscando escapar de El Fasher, cidade marcada por um dos piores massacres da guerra que assola o país. Quando os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR) tomaram a cidade, ele velava seu pai, militar do exército regular ferido alguns dias antes, no hospital saudita. “Chamaram sete enfermeiros e os reuniram em uma sala.
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Ouvimos tiros e vi sangue escorrendo por baixo da porta”, relata o adolescente de 16 anos à AFP.
Após 18 meses de combates, todos falam de uma intensificação dos bombardeios a partir de 24 de outubro, antes da entrada dos paramilitares. Dezenas de pessoas se amontoaram em abrigos improvisados para escapar dos drones. Hamid Souleyman Chogar, de 53 anos, lembra de quando fugiu do esconderijo. “Sempre que subia para tomar ar fresco, via novos cadáveres na rua, muitas vezes de moradores do bairro que eu conhecia”, confessou.
Testemunhos de Desespero
A situação em Tiné, o campo de refugiados, é marcada por relatos de violência e sofrimento. Mouna Mahamat Oumour, de 42 anos, fugia com seus três filhos quando um projétil atingiu o grupo. “Quando me virei, vi o corpo destroçado da minha tia.
Nós a cobrimos com um pano e seguimos em frente”, conta ela entre lágrimas. “Caminhamos sem olhar para trás”, acrescenta.
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Análises e Evidências
Análises realizadas por um laboratório da Universidade de Yale a partir de imagens de satélite cruzadas com vídeos publicados pelas FAR sugerem a presença de numerosos corpos nestas trincheiras. Samira Abdallah Bachir, de 29 anos, seguiu outro caminho.
Ela teve que descer para a trincheira com sua filha de dois anos nos braços e seus outros dois filhos, de 7 e 11 anos, caminhando atrás dela. “Tivemos que desviar dos cadáveres para não pisar neles”, descreve.
Violência e Discriminação
Uma vez fora da cidade, os refugiados passam por outras violências. Os relatos testemunham atos de agressão, violações e roubos contra a população civil em cada posto de controle. Mahamat Ahmat Abdelkerim teve seu telefone e seu dinheiro roubados, mas teve que continuar pagando ao passar pelos postos de controle. “As FAR têm telefones que colocam no viva-voz para que possamos entrar em contato com nossos familiares e eles nos enviem dinheiro”, descreve.
Outros depoimentos mencionaram casos de discriminação racial. “Disseram-nos que somos negros, que somos escravos”, conta um refugiado recém-chegado a Tiné. “Eles separam alguns homens, tiram seus pertences e atiram neles aleatoriamente”.
Crise Humanitária no Sudão
De acordo com os últimos dados da ONU, cerca de 90.000 pessoas já fugiram da cidade de El Fasher desde a conquista dos paramilitares. A agência de refugiados da acredita que “90.000” pessoas chegarão ao país nos “próximos três meses”. O conflito no Sudão já causou dezenas de milhares de mortos, deslocou quase 12 milhões de pessoas e, segundo as Nações Unidas, provocou a pior crise humanitária do mundo.
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