Redução da jornada no Brasil: 31,5 milhões de trabalhadores e o impacto nas pequenas empresas

Redução da jornada no Brasil: 31,5 milhões de trabalhadores em risco! Saiba como o estudo de Fernando Meneguin aponta impactos em pequenas empresas.

07/04/2026 10:32

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Impactos da Redução da Jornada de Trabalho no Brasil

A possível alteração da escala de trabalho, como o fim do regime 6×1 e a diminuição da jornada semanal, pode afetar cerca de 31,5 milhões de trabalhadores formais no Brasil. Segundo um estudo do Instituto Esfera, o impacto será particularmente forte sobre as pequenas empresas, que detêm 52% do emprego formal nacional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O documento, intitulado “A Reconfiguração da Jornada de Trabalho no Brasil: Perspectivas e Impactos Socioeconômicos”, foi coordenado por Fernando Meneguin e detalha essas projeções. Ele aponta que a média salarial desses trabalhadores em jornadas longas é de R$ 2.627, com maior representatividade feminina.

Análise Histórica e Econômica da Mudança

A implementação de mudanças na jornada de trabalho gera impactos inflacionários, eleva os custos operacionais para as empresas e pode levar ao aumento do desemprego. O estudo compara o cenário atual com a redução de jornada ocorrida após a Constituição de 1988.

Nesse período, o desemprego, que era de 8,7% em 1989, cresceu até atingir um pico de 19,9% em 1999. Esse processo foi acompanhado por um salto na informalidade, que chegou a 60% do mercado de trabalho, conforme o estudo aponta.

Desafios Atuais do Mercado de Trabalho

A proposta em discussão no Congresso foca em jornadas superiores a 40 horas semanais, afetando a maioria do mercado formal. Meneguin ressalta que a redução anterior, de 48 para 44 horas, ocorreu em um contexto econômico diferente, marcado por hiperinflação e economia mais fechada.

Leia também:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Atualmente, o país enfrenta produtividade estagnada e gargalos na qualificação da mão de obra. Isso tende a dificultar a absorção de novos empregados e elevar os custos de treinamento para as companhias.

Setores e Perfis Mais Afetados pela Proposta

O impacto não será uniforme. O estudo indica que os setores de comércio e serviços concentram a maior parte dos trabalhadores com longas jornadas. No varejo e atacado, por exemplo, mais de 90% dos contratos formais ultrapassam 40 horas semanais.

Os trabalhadores com menor renda e menor qualificação são os mais vulneráveis. A média salarial de quem trabalha 44 horas é de cerca de R$ 2.627, e mais de 83% dos trabalhadores com ensino médio ou menos têm jornadas acima de 40 horas.

Implicações para as Empresas

Para as empresas, a transição exigiria uma reorganização profunda das escalas, especialmente em negócios que operam continuamente e têm pouca capacidade de automação, como os serviços.

As estimativas setoriais apontam para um aumento significativo da folha de pagamento e pressão sobre os preços ao consumidor. As pequenas empresas, que representam 52% do emprego, têm menor margem para absorver custos ou investir em tecnologia.

Considerações Finais sobre a Implementação

A discussão no Congresso envolve propostas como a jornada de 36 horas em quatro dias, além de alternativas com transição mais longa. O estudo enfatiza que a maneira como a mudança for implementada será crucial para mitigar choques econômicos.

A adoção de uma transição gradual, a negociação coletiva adaptada por setor e a criação de políticas de compensação para as pequenas empresas são fatores considerados essenciais para um impacto mais suave no mercado de trabalho brasileiro.

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.