Primeiro porco clonado no Brasil para xenotransplante: o que muda na medicina?

Primeiro porco clonado no Brasil para xenotransplante! Saiba como USP e equipe alcançaram marco histórico em Piracicaba. Clique e confira!

23/04/2026 10:10

3 min

Primeiro porco clonado no Brasil para xenotransplante: o que muda na medicina?
(Imagem de reprodução da internet).

Marco Histórico: Primeiro Porco Clonado no Brasil para Xenotransplante

Pesquisadores ligados ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), da Universidade de São Paulo (USP), celebraram um feito aguardado há quase seis anos no final de março. Após inúmeras tentativas, o grupo conseguiu o primeiro porco clonado tanto no Brasil quanto em toda a América Latina.

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O nascimento ocorreu em um laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), localizado em Piracicaba, no interior paulista. Este evento marca um ponto de virada fundamental para um projeto ambicioso nacional: desenvolver suínos geneticamente modificados capazes de fornecer órgãos sem causar rejeição imunológica.

Liderança e Desenvolvimento do Projeto

A iniciativa conta com a liderança de profissionais renomados, incluindo o cirurgião Silvano Raia, professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP; a geneticista Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL); e o imunologista Jorge Kalil, professor da FM-USP.

O projeto teve seu início em 2019, fruto de uma parceria com a farmacêutica EMS, sob o Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP. Ele ganhou maior escala a partir de 2022 com a criação do XenoBR, um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) financiados pela Fundação.

O Desafio da Clonagem Suína

Segundo Ernesto Goulart, professor do IB-USP e pesquisador principal do CCD, a clonagem de suínos é considerada uma das técnicas mais complexas para viabilizar o xenotransplante. Ele ressaltou que, embora o Brasil tenha experiência com clonagem de bovinos e equinos, o manejo com suínos apresenta desafios biológicos ainda não totalmente compreendidos.

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A escolha dos porcos como potenciais doadores se deve à semelhança de tamanho e funcionamento de seus órgãos com os humanos. Além disso, são animais domesticados, com boa reprodução em cativeiro e grande taxa de ninhadas. Contudo, os órgãos transplantados diretamente seriam rejeitados pelo sistema imune humano, exigindo modificações genéticas.

Tecnologias Genéticas Aplicadas

Após uma gestação de quase quatro meses, o primeiro clone de suíno nasceu saudável, pesando 1,7 kg. Goulart celebrou o resultado, afirmando que o estado de saúde do animal comprova a eficácia da técnica empregada.

O processo envolve uma cadeia tecnológica complexa, como a modificação genética usando a ferramenta CRISPR/Cas9. Com ela, os pesquisadores conseguiram inativar três genes suínos que causam rejeição. Adicionalmente, utilizaram técnicas de inserção gênica de precisão, incorporando sete genes humanos para aumentar a compatibilidade com o receptor.

Manutenção e Controle Sanitário dos Animais

Os embriões editados foram transferidos para fêmeas híbridas (linhagens Landrace e Large White). Os porcos clonados e seus descendentes serão mantidos em dois laboratórios pioneiros de produção em grau clínico na América Latina, ambos com apoio da Fapesp.

Um desses locais foi inaugurado em 2024 no campus da USP em São Paulo, e o segundo, no final de 2025, no Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-Estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida (Nutabes) do IPT. Essas instalações possuem alto controle sanitário, essenciais porque os órgãos serão um produto médico, prevenindo qualquer risco de transmissão de patógenos.

Impacto Estratégico para o Sistema de Saúde Brasileiro

Os pesquisadores planejam iniciar com um plantel de casais de porcos clonados, visando a manutenção e evolução do plantel por meio da reprodução natural, diminuindo a dependência de clonagens contínuas. Os órgãos mais requisitados são os rins, o fígado e o coração.

A tecnologia visa suprir a demanda de órgãos, sendo um avanço crucial para o sistema de saúde. O objetivo é que o Brasil se torne um polo de desenvolvimento nessa área, garantindo o acesso a transplantes de forma mais sustentável.

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