Praia de São Tomé em Crise: Medo e Desespero no Subúrbio Ferroviário de Salvador

Preocupação e Medo Persistem em Praia de São Tomé de Paripe
A rotina da comunidade de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, foi drasticamente alterada. Quase dois meses após a interdição de uma das praias mais bonitas da capital baiana, moradores, pescadores e comerciantes enfrentam um cenário de incertezas, com receios sobre os impactos ambientais e potenciais consequências para a saúde.
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A CNN Brasil investigou o surgimento de manchas azuis e amarelas que afetaram a faixa de areia e o mar da região, buscando entender a real dimensão da crise.
Análise Científica e Riscos à Saúde
O professor de Ecologia e Biodiversidade da UFBA, Francisco Kelmo, alerta para os riscos associados ao acúmulo de substâncias como cobre e nitrato no organismo humano. Segundo ele, “tudo em excesso faz mal”. A exposição prolongada a essas substâncias, especialmente através da cadeia alimentar, pode levar a problemas de saúde futuros.
Apesar da necessidade de dados mais precisos, após a conclusão da pesquisa, a recuperação da área contaminada não será um processo rápido, dependendo dos resultados das análises laboratoriais em andamento.
Impactos Econômicos e Desespero da População Local
Enquanto aguardam os resultados das análises, quem depende economicamente da praia enfrenta prejuízos e abandono. Joilda Borges, que trabalha há anos em uma barraca na areia de São Tomé de Paripe, relata a dificuldade de manter seu sustento. “Estamos sem poder levar nosso pão para casa e a gente quer a solução com uma praia limpa”, desabafa.
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A situação é crítica para cerca de 62 permissionários afetados pela interdição, que dependem da atividade para sobreviver.
Pescadores Lutam para Manter a Sobrevivência
Os pescadores da região também sofrem com a situação. Clênio Dias, por exemplo, precisou mudar a área de pesca para continuar trabalhando. “Tenho que ir mais distante para pescar e mesmo assim encontro dificuldade para vender, porque as pessoas duvidam da procedência do pescado”, relata.
A incerteza e o medo da contaminação afetam diretamente a sua subsistência, além do risco que ele enfrenta no mar.
Expectativas Frustradas e Falta de Responsabilidade
Jocival Nascimento, morador da região e articulador entre a comunidade e órgãos públicos, critica a falta de respostas e o descaso com a situação. “A população cobra respostas e diz que promessas feitas ainda não foram cumpridas”, afirma.
O Ministério Público da Bahia teria prometido auxílio equivalente a um salário mínimo para centenas de famílias afetadas, mas até agora não houve retorno. A situação é agravada pela falta de atualizações dos laudos pelo Inema e pela empresa Intermarítima, que se limita a “empurrar” a responsabilidade.
Origem da Contaminação e Investigação em Andamento
A praia de São Tomé de Paripe é conhecida pelas águas calmas e pela proximidade com a Base Naval de Aratu. A contaminação ocorreu em uma área localizada atrás da empresa Intermarítima, responsável por operações de logística e movimentação portuária.
Apesar da classificação de “graneis sólidos”, a empresa movimentava fertilizantes e produtos químicos. O Inema interditou temporariamente as atividades da empresa após inspeções técnicas apontarem irregularidades e relação entre a contaminação e as operações realizadas no terminal.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Federal.
A CNN Brasil aguarda posicionamentos do Inema e do Ministério Público da Bahia, e o espaço permanece aberto para novas informações.
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