PL visa proibir apostas de quota fixa no Brasil: o que muda em 2026?

Projeto de Lei visa Proibir Apostas de Quota Fixa no Brasil
O líder da bancada do PT na Câmara, (PT-SC), protocolou nesta quarta-feira, 14 de abril de 2026, um projeto de lei que visa proibir totalmente a exploração, oferta, promoção e facilitação de apostas de quota fixa em todo o território nacional.
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A proposta também determina a revogação de partes das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023, que atualmente compõem o arcabouço legal das apostas esportivas e jogos online no Brasil.
Contexto Político e Argumentos Contra as Apostas
A apresentação do projeto ocorreu em um cenário de declarações recentes do presidente (PT) sobre o tema. Em entrevista ao ICL Notícias, no dia 8 de abril, o chefe do Executivo manifestou preocupação com o impacto das plataformas.
Lula questionou a manutenção das apostas, perguntando: “Se as bets causam o mal que a gente acha que causa, por que a gente não acaba com as bets? Ou regula para que não tenha tantas bets no Brasil e você possa ter algumas, se é que tem alguma serventia”.
Impactos Econômicos e Sociais Segundo o Governo
O presidente também apontou que a população estaria “gastando dinheiro” para enriquecer as empresas de aposta. Ele ressaltou que, embora o governo discuta o assunto, a decisão final depende também da aprovação do Congresso Nacional.
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O projeto busca coibir todas as atividades ligadas a apostas de quota fixa, abrangendo desde a operação das plataformas até a publicidade e o processamento de transações financeiras. Essa proibição seria válida tanto em ambientes físicos quanto digitais.
O Que o Projeto Propõe Detalhadamente
A medida visa atingir todas as formas de divulgação e intermediação, incluindo empresas sediadas no exterior que operam com o público brasileiro. A proibição se estenderia a pessoas físicas e jurídicas, além de plataformas digitais, redes sociais e instituições financeiras.
O texto veda explicitamente publicidade, patrocínio esportivo, marketing de influência, bônus promocionais e qualquer comunicação comercial relacionada às apostas. A justificativa apresentada aponta para a necessidade de proteger a sociedade em esferas social, sanitária e econômica.
Preocupações com o Endividamento Popular
Segundo o deputado, as apostas deixaram de ser vistas apenas como entretenimento digital, transformando-se em um mecanismo que captura a renda da população. Ele citou o aumento do endividamento familiar, o impacto no comércio varejista e a pressão sobre o SUS.
Para garantir o cumprimento, o projeto determina que a Anatel, em conjunto com a autoridade federal, tome medidas rigorosas. Tais ações incluem o bloqueio de domínios, IPs, a remoção de aplicativos de lojas digitais e a desindexação em buscadores.
Regulamentação no Setor Financeiro e Penalidades
No âmbito financeiro, o projeto obriga bancos e empresas de pagamento a recusar ou interromper transações relacionadas a apostas. Espera-se que o Banco Central lidere a regulamentação e o envio de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
As plataformas com mais de um milhão de usuários deverão criar canais de denúncia e publicar relatórios de transparência mensais. O texto estabelece sanções severas, como multas que podem variar de R$ 50.000 a R$ 2 bilhões, além de crimes específicos para quem explorar ou burlar os bloqueios.
Posicionamento de Setores Envolvidos
A reportagem buscou o (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) para comentar o projeto, mas o órgão não emitiu declaração até a publicação. Por outro lado, a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) alertou que qualquer proposta de proibição representa um grande risco ao mercado legal e regulamentado.
A associação argumentou que a regulamentação existente visa trazer a atividade para um ambiente controlado, com mecanismos de supervisão e proteção ao consumidor. Eles defendem que o caminho mais adequado é fortalecer a regulação, e não eliminá-la, para mitigar riscos de forma responsável.
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