Operação Compliance Zero: R$ 29 bi e prisões em fraudes do Banco Master e BRB

Operação Compliance Zero: Cinco Meses de Investigações Contra Fraudes no Banco Master
A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, completa cinco meses neste sábado, dia 18. Desde o início das apurações, a investigação já resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 29 bilhões e no cumprimento de 14 mandados de prisão.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A quarta fase da operação, deflagrada na última quinta-feira, dia 17, concentrou seus esforços no BRB. Os investigadores suspeitam de corrupção ligada às transações entre o banco estatal e o Master.
Foco na Corrupção e Prisões em Brasília
Nesta etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Após a detenção, o ex-chefe do BRB foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Segundo apurações, Cunha teria recebido seis imóveis, pagos por Vorcaro, como forma de propina para facilitar a aquisição de carteiras consideradas fraudulentas.
A Evolução do Caso Master
Ao longo das quatro fases, a investigação do Caso Master evoluiu de suspeitas iniciais sobre operações financeiras irregulares para indícios mais graves, como corrupção de agentes públicos, obstrução da Justiça e ameaças violentas.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As Quatro Fases da Investigação
A primeira fase, iniciada em 18 de novembro de 2025, focou em fraudes em operações de compra e venda de créditos entre Master e BRB. As investigações apontavam o uso de ativos inexistentes ou fraudulentos como lastro para a compra do banco de Vorcaro pela instituição ligada ao Governo do Distrito Federal.
Detalhes das Primeiras Etapas
Na ocasião, foram emitidos cinco mandados de prisão preventiva. Vorcaro foi detido ao tentar deixar o país com destino a Dubai. Houve também dois mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 1,3 bilhão.
Na segunda fase, os investigadores direcionaram o foco à gestão do banco, utilizando estruturas complexas que envolviam fundos de investimento em diferentes camadas. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que também foi detido ao tentar viajar para Dubai.
O bloqueio de valores atingiu R$ 5,7 bilhões.
Desafios no Supremo Tribunal Federal
Todas as fases da operação dependem de autorização do STF, que enfrentou momentos de instabilidade na condução do caso. Pouco após o início da segunda etapa, o ministro Toffoli foi alvo de críticas por decisões como a imposição de sigilo máximo e mudanças constantes no armazenamento de provas.
Em um episódio, ele determinou que todo material apreendido fosse lacrado e enviado diretamente ao Supremo, medida contestada pela Polícia Federal e depois revista. Além disso, surgiram informações sobre laços financeiros entre familiares do ministro e um fundo ligado ao Banco Master, aumentando o desgaste público.
Aprofundamento das Acusações e Perspectivas Futuras
Em fevereiro, o ministro do caso foi novamente envolvido. Esta etapa, segundo a PF, foi consequência direta das provas coletadas nas fases anteriores. O foco passou a ser suspeitas de obstrução da Justiça, corrupção de agentes públicos e ameaças de Vorcaro contra jornalistas.
Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva. Vorcaro, que já havia tido sua primeira prisão aliviada para medidas cautelares mais brandas, foi novamente detido, desta vez em um presídio federal de segurança máxima. Zettel, que estava preso apenas temporariamente, também foi detido preventivamente.
Outro envolvido, Luiz Phillipi Mourão, foi preso por ser considerado pela PF responsável pelo monitoramento de pessoas que agiam contra os interesses do banqueiro.
Nesta mesma fase, foram realizados 15 mandados de busca e apreensão, visando suspeitas de repasse de informações privilegiadas e prestação de “consultoria informal” ao banco. O montante bloqueado naquele dia subiu para R$ 22 bilhões. As investigações sobre as fraudes no sistema financeiro seguem ativas e podem ser potencializadas por uma possível delação de Daniel Vorcaro.
A defesa do ex-banqueiro sinalizou ao STF que o material seria apresentado em maio ao Supremo.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


