Nordeste reflete desaceleração do consumo: Natura, Mateus e Casas Bahia alertam sobre o cenário

Nordeste desacelera o consumo! Natura, Mateus e Casas Bahia expõem o aperto no bolso das famílias em 2025. Veja os detalhes!

06/04/2026 11:54

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Nordeste Reflete Desaceleração do Consumo em Balanços de Grandes Empresas

O final de 2025 trouxe um sinal preocupante nos resultados financeiros de empresas ligadas ao consumo familiar. O Nordeste, em particular, começou a ser apontado com mais frequência como o principal fator para a piora dos resultados nos meses de outubro a dezembro do ano passado.

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Grandes corporações como Natura, grupo Mateus e Casas Bahia relataram abertamente a perda de força na demanda na região, indicando um cenário de consumo mais restrito para as famílias. Os relatos convergem para um ponto: há menos margem no orçamento doméstico.

Impactos Setoriais e o Peso Regional

Essa restrição orçamentária é visível desde o carrinho de supermercado até a compra de cosméticos ou a contratação de crédito para eletrodomésticos. Cada empresa sentiu esse aperto de maneira distinta, mas com um denominador comum.

Natura e a Exposição Geográfica

A Natura, por exemplo, sentiu o impacto de forma mais intensa devido à sua forte presença no Nordeste. O CEO João Paulo Ferreira explicou que a maior exposição regional, em um ambiente de consumo desfavorável, pesou nos resultados consolidados.

“Houve uma retração de demanda na região Nordeste, onde temos um market share superior a nossa média nacional, o que acaba impactando ainda mais o resultado consolidado”, declarou Ferreira a analistas.

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Mateus e o Termômetro do Consumo Básico

O grupo Mateus, focado no consumo básico, funciona como um termômetro da renda familiar. O CEO Jesuíno Martins apontou que o cenário foi desafiador, com o consumo perdendo força ao longo de 2025.

Segundo o executivo, o consumidor está levando para casa menos itens, registrando uma redução de cerca de 8% no número de produtos no carrinho comparado a 2024. Esse enfraquecimento se acentuou no segundo semestre do ano passado.

Casas Bahia e o Risco de Crédito

Para as Casas Bahia, o problema não foi tanto a queda nas vendas, mas sim o aumento do risco. A deterioração do perfil financeiro dos clientes levou a companhia a adotar medidas mais cautelosas.

“O endividamento das famílias no Nordeste piorou bastante e, consequentemente, a inadimplência também. Então, estamos mais restritivo na concessão de crédito”, afirmou o CEO Renato Franklin, citando o peso da taxa de juros e do cenário macroeconômico na região.

Dados de Inadimplência Confirmam a Tensão no Nordeste

Os dados da Serasa, referentes ao período de outubro a dezembro de 2025, contextualizam o cenário. Houve um aumento no número de inadimplentes em todos os estados nordestinos, acompanhado pelo crescimento do valor total das dívidas e do ticket médio por pessoa.

O número total de endividados saltou de 18,3 milhões para 20,3 milhões de pessoas. O valor total das dívidas cresceu de R$ 81,8 bilhões para R$ 98,4 bilhões. A Bahia lidera tanto em número de inadimplentes quanto no volume total da dívida na região.

Juros Altos e o Comportamento de Compra

O economista Jorge Jatobá, da Ceplan, atribui o movimento a um acúmulo de fatores, especialmente os juros elevados. Ele explica que o alto custo do crédito compromete tanto as empresas quanto o orçamento das famílias.

O aumento da Selic, que subiu de 10,75% em outubro para 12,25% ao ano no final de 2024 e manteve alta em 2025, fez com que o consumo perdesse força, principalmente nas camadas de renda mais baixas.

A Substituição de Bens e o Impacto no Consumo

Aristides Monteiro Neto, do Ipea, aponta que juros altos, o mais elevado desde 2006, afetam bens duráveis. As famílias priorizam o essencial, trocando itens mais caros por alternativas mais baratas.

Em resumo, o consumo se ajusta, e o crédito restrito força as mudanças de hábito, como o foco em produtos mais básicos.

Em conclusão, os dados apontam para uma desaceleração do consumo, refletindo o aperto financeiro e a necessidade de ajuste das famílias diante do cenário econômico.

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