Mercado de embalagens no Brasil falha em metas de reciclagem, e o que esperar de 2026?

Mercado de Embalagens no Brasil Desafia Metas de Reciclagem
Com a proximidade das obrigações legais, o mercado brasileiro de embalagens mostra um movimento contrário ao exigido pela legislação. Um decreto editado pelo Ministério do Meio Ambiente estabelece que, a partir de julho de 2026, fabricantes devem incorporar no mínimo 22% de conteúdo reciclado em plásticos.
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O não cumprimento dessa meta pode acarretar multas substanciais, chegando a R$ 50 milhões. O propósito central é fomentar a economia circular, transformando resíduos em matéria-prima e diminuindo o volume de lixo destinado a aterros sanitários.
O Desafio da Demanda por rPET
Para atender à exigência, as empresas precisam aumentar a compra de rPET, a resina reciclada proveniente de garrafas e outros recipientes plásticos. Contudo, os dados da consultoria MaxiQuim apontam um cenário preocupante: uma queda de aproximadamente 30% nas aquisições desse material.
Capacidade Instalada vs. Comportamento do Mercado
O quadro é agravado pelo fato de que a indústria de reciclagem já possui capacidade instalada suficiente para suprir a demanda prevista pela lei. Portanto, o gargalo não reside na oferta, mas sim na demanda por parte dos fabricantes de embalagens.
A Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) indicou que, em 2024, o Brasil já possuía cerca de 510 mil toneladas de capacidade para a produção desse tipo de plástico. Esse descompasso gera riscos duplos: multas para as empresas e capacidade ociosa para os recicladores.
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A Pressão do Plástico Virgem Mais Barato
Representantes da cadeia de reciclagem apontam que a principal causa dessa retração é a concorrência das resinas virgens, ou seja, o plástico produzido diretamente do petróleo, sem reaproveitamento. Esses materiais estão em um ciclo global de preços baixos.
A sobreoferta de produção nos Estados Unidos e na China derrubou os valores, tornando o material reciclado menos competitivo. Em alguns momentos, o plástico reciclado chegou a custar até 41% menos que o virgem.
Custos Operacionais e Mudanças no Cenário Global
Maurício Jaroski, diretor de química sustentável e reciclagem da MaxiQuim, ressaltou que “Há hoje muito mais capacidade de produção de resinas virgens no mundo do que demanda. Isso derruba os preços e reduz o incentivo para o uso de reciclados”.
Embora os custos de coleta, triagem e transporte mantenham-se altos, a situação pode mudar devido à guerra no Oriente Médio. Esse conflito tem elevado o preço do petróleo e, consequentemente, o das resinas virgens, reequilibrando a disputa com o material reciclado.
Impactos Regulatórios e Sociais da Transição
Além dos fatores econômicos, a incerteza regulatória também preocupa o setor. Apesar das multas elevadas, muitas empresas questionam a segurança jurídica e a fiscalização do decreto.
Outro ponto crucial é o impacto na base da cadeia de reciclagem. Diferente da petroquímica, o setor depende muito de catadores e cooperativas. A queda nos preços tem afetado a renda desses trabalhadores.
A Vulnerabilidade dos Catadores
Cooperativas relatam que a remuneração média por cooperado caiu para cerca de R$ 700 mensais, valor inferior à metade do salário mínimo de R$ 1.621,00. Essa redução desestimula a coleta, diminuindo o fornecimento de resíduos para reciclagem.
A expectativa, segundo Jaroski, é de uma mudança gradual no comportamento das empresas. O cenário mais provável aponta para um estágio intermediário, onde parte do mercado cumprirá as metas enquanto outra aguarda maior clareza nas regras.
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