Lula enfrenta desafios: imagem e economia pesam apesar de R$ 88 bi em medidas?

Desafios de Imagem e Economia Afetam Governo Lula Apesar de Pacotes de Medidas
A trajetória de melhoria da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda enfrenta obstáculos, mesmo após a implementação de um pacote de medidas que ultrapassa os R$ 88 bilhões, incluindo a isenção do imposto de renda. Segundo análise de Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest, parte dessa dificuldade reside na percepção de deterioração econômica e no aumento constante dos preços dos alimentos.
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Percepção Negativa Domina o Cenário Político e Econômico
A combinação desses dois fatores tem gerado um noticiário predominantemente negativo sobre a gestão governamental, diminuindo o impacto das ações implementadas. Dados recentes mostram um aumento significativo no relato de notícias negativas. Desde fevereiro, o percentual de eleitores que relatam ver mais notícias críticas sobre o governo subiu de 41% para 48%.
A Mudança no Tom da Cobertura Midiática
Em contrapartida, as notícias positivas registraram uma queda expressiva, passando de 30% para 23%. “O ambiente não parece favorável ao governo neste momento”, avaliou Nunes em uma publicação recente.
Inflação e Endividamento Puxam a Sensação de Piora
Sobre a sensação econômica nos últimos doze meses, Nunes aponta que o sentimento geral está em declínio. A tendência de alta na percepção de piora é observada desde dezembro de 2025, com um avanço de 12 pontos percentuais, elevando o índice de quem sente que a economia piorou para 50%.
O Impacto Direto dos Alimentos e Combustíveis
A principal força motriz dessa sensação negativa é o custo dos alimentos. Para 72% dos brasileiros, os preços tiveram alta no último mês, um número que cresceu em relação aos 59% registrados em março e se aproxima do pico visto há um ano.
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, apontou um aumento de 0,88% em março, impulsionado pelos preços dos combustíveis e dos alimentos. Esse cenário ocorre em um contexto de maior instabilidade no mercado internacional de commodities, afetado pelo fechamento do Canal de Suez, o que gera efeitos amplos na economia brasileira.
O Peso do Endividamento Familiar e a Eficácia das Medidas Governamentais
Além dos aumentos de preços, o endividamento das famílias permanece um problema grave, atingindo um número muito expressivo de cidadãos, alertou Nunes. De março do ano passado até agora, o percentual de entrevistados que declaram ter poucas ou muitas dívidas subiu de 65% para 72%.
O comprometimento da renda familiar com dívidas chegou a 29,33% em janeiro.
Diante disso, o governo planeja um novo programa de renegociação de dívidas, oferecendo até 90% de desconto e juros de 2%, além da liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para dez milhões de pessoas. Contudo, o ganho de renda proporcionado pela isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil não gerou o efeito esperado na renda das famílias.
A isenção, desde sua vigência, ainda atinge 31% das pessoas. Comparando com a pesquisa de outubro de 2025, quando a medida ainda não havia sido implementada, 61% dos brasileiros esperavam ser beneficiados. O CEO da Quaest ressaltou que “o percentual de brasileiros que sentiram impacto na renda depois da isenção é estável (próximo de 17%).
Ou seja, o tempo passa, o benefício se intensifica nos meses, mas não a ponto de afetar um volume maior de brasileiros”.
Perspectivas para a Estabilidade Econômica
A análise aponta que, apesar dos esforços governamentais com grandes pacotes de recursos, a percepção pública é moldada por fatores macroeconômicos persistentes, como a alta dos preços básicos e o peso do endividamento. A manutenção da confiança do consumidor e do eleitorado dependerá de resultados tangíveis que revertam a narrativa de dificuldades econômica.
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