Inflação nos EUA: Fed sob pressão e juros altos se mantêm no horizonte

Inflação nos EUA Acelera e Reforça Expectativas de Juros Altos
Os dados de abril sobre a inflação nos Estados Unidos, divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), indicam um cenário preocupante para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A taxa de aceleração da inflação atingiu 3,8%, o maior nível desde maio de 2023, confirmando as expectativas do mercado de que o Fed manterá as taxas de juros elevadas por mais tempo.
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Os números, que acompanham o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), refletem a persistência da pressão inflacionária na economia americana.
Impacto dos Preços de Energia
A principal força motriz por trás dessa aceleração foi o aumento expressivo nos preços de energia. Esse fenômeno impactou diretamente o transporte marítimo e as cadeias globais de suprimentos. Dados da agência de energia dos EUA revelaram que o preço médio da gasolina no varejo subiu 12,3% em abril, um aumento significativo desde o início da guerra, que elevou os preços em mais de 50% desde fevereiro.
Além da energia, os consumidores americanos continuam enfrentando preços mais altos em diversos bens e serviços, o que contribui para a persistência da inflação.
Núcleo do PCE e Consumo Familiar
Analisando os dados em mais detalhes, o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 3,3% em 12 meses em abril, ante 3,2% em março. Na comparação mensal, a alta foi de 0,2%. O consumo das famílias, que é o principal motor da economia americana, cresceu 0,5% em abril, desacelerando em relação ao aumento de 1% em março.
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A renda pessoal, por sua vez, permaneceu estável no mês. Dados adicionais revelaram uma queda de 0,5% na renda disponível ajustada pela inflação e uma redução na taxa de poupança para 2,6%, o menor nível desde 2022.
Diferenças entre CPI e PCE
Um ponto de atenção nos dados desta quinta-feira é a crescente diferença entre o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e o PCE. Enquanto o núcleo do PCE avançou 3,3% em abril, o núcleo do CPI ficou em 2,8%. Essa disparidade tem chamado a atenção do Fed, que utiliza o PCE como principal referência para sua meta de inflação de 2%.
A metodologia de cálculo dos dois índices também contribui para essa diferença, com o PCE abrangendo gastos em nome dos consumidores, como planos de saúde, e incluindo áreas urbanas e rurais, enquanto o CPI se concentra apenas no consumo das famílias urbanas.
Impacto da Inteligência Artificial
Outro fator que pressiona o índice de inflação é o aumento nos preços de produtos relacionados à inteligência artificial, como softwares e acessórios de informática. Economistas apontam que esses itens subiram cerca de 14% em ritmo anual, impulsionados pelo aumento dos investimentos em IA e data centers.
Essa tendência, juntamente com a persistência da inflação, reforça as expectativas de que o Fed manterá as taxas de juros elevadas por mais tempo, e até considerar novas altas caso a inflação continue resistente. As atas da reunião de abril do Fed já indicaram um número maior de dirigentes abertos à possibilidade de elevar juros novamente.
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