IA Revoluciona Entradas no Mercado: Futuro do Trabalho Jovem em Risco

IA ameaça o primeiro emprego? Rodrigo Dib alerta para o futuro do trabalho jovem. RH Summit 2026 debate automação e impacto nas carreiras. Saiba mais!

09/05/2026 08:10

3 min

IA Revoluciona Entradas no Mercado: Futuro do Trabalho Jovem em Risco
(Imagem de reprodução da internet).

Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho Jovem

A inteligência artificial está transformando radicalmente a forma como as empresas contratam, treinam e avaliam profissionais. Rodrigo Dib, superintendente institucional e de inovação do CIEE, destaca que essa mudança mais impactante se concentra nas portas de entrada do mercado de trabalho.

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Essa discussão ganhou destaque no RH Summit 2026, realizado em São Paulo, entre os dias 5 e 6 de maio, reunindo cerca de 6.000 participantes.

Durante uma entrevista à EXAME, Dib enfatizou que a automação tende a afetar inicialmente as funções administrativas, que atualmente são ocupadas por jovens em início de carreira. Ele estima que mais de 50% das posições que um jovem ingressa no mercado podem ser substituídas pela IA em um futuro próximo.

Essa situação cria um desafio significativo para a empregabilidade jovem no Brasil, já que as habilidades que um jovem adquire em sua primeira função podem perder valor em poucos anos.

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A avaliação do executivo revela uma preocupação com a forma como as empresas estão abordando a formação de jovens. Dib critica a tendência de priorizar o número de empregos em detrimento da qualidade da formação oferecida. Ele argumenta que o sistema educacional atual não está preparando os jovens para as demandas do mercado de trabalho, que estão em constante evolução.

O primeiro emprego, muitas vezes, está ligado às funções mais vulneráveis à automação, como as atividades operacionais e administrativas.

Para enfrentar esse cenário, o CIEE acompanha anualmente centenas de milhares de jovens em programas de estágio e aprendizagem. Dib defende uma mudança rápida no desenho das vagas de entrada, com foco em atividades que permitam o desenvolvimento de novas competências.

Ele sugere que as empresas invistam em tempo de formação para os jovens, transformando parte da jornada operacional em oportunidades de aprendizado técnico e desenvolvimento profissional. Essa adaptação é crucial para evitar o vazio de formação que pode surgir com a substituição dessas posições por IA.

Uma das soluções propostas por Dib é integrar a capacitação à jornada de trabalho dos jovens. Ele sugere reduzir a jornada de trabalho em funções administrativas, dedicando o tempo restante para o desenvolvimento de novas habilidades. A empresa deve se concentrar em preparar o jovem para o próximo passo em sua carreira.

Dib acredita que a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio ao trabalho humano, e não como uma substituição direta das pessoas. Ele ressalta que a velocidade com que as empresas estão adotando a IA tem aumentado o medo de substituição entre os trabalhadores.

Dib também destaca a importância de abordar a saúde mental e a IA em conjunto, já que os dois temas estão interligados. Ele defende que as empresas devem criar ambientes seguros para que os jovens se adaptem às novas tecnologias e aos desafios do mercado de trabalho.

Além disso, ele sugere que as empresas implementem práticas que reduzam a resistência à IA, como apresentar o uso da tecnologia na vida pessoal dos funcionários. Ele acredita que o engajamento dos colaboradores é a chave para o sucesso da implementação da IA.

Outro tema central do RH Summit foi a nova NR-1, que amplia a responsabilidade das empresas sobre riscos psicossociais e saúde mental no ambiente de trabalho. Dib considera que a legislação funciona como um ponto de pressão para que as empresas mudem a forma como lidam com o bem-estar dos seus funcionários.

Ele ressalta que a mudança mais importante acontece quando a saúde mental deixa de ser responsabilidade exclusiva do RH, e cada gestor passa a ter responsabilidade direta sobre o ambiente emocional, a carreira e o desenvolvimento das equipes.

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