IA: Novo Carvão? Paradoxo de Jevons Estrutural Impulsiona Gastos Bilionários

A Nova Corrida da Inteligência Artificial: Uma Dinâmica Contraintuitiva
A frase do CTO da Palantir, Shyam Sankar – “Tokens são o novo carvão. Nosso sistema é o trem” – encapsula uma observação crucial sobre a atual dinâmica da inteligência artificial (IA). Essa analogia, que remete à Revolução Industrial, revela um padrão econômico surpreendente e, até agora, pouco compreendido.
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A essência da ideia reside no Paradoxo de Jevons, formulado em 1865 pelo economista William Stanley Jevons. A teoria original observou como a maior eficiência no uso do carvão na Inglaterra, através da invenção de máquinas a vapor mais eficientes, não reduziu o consumo total, mas sim o impulsionou, devido ao aumento da industrialização e da demanda.
A lógica se repete no contexto da IA, com a queda drástica nos custos de processamento de tokens.
O Paradoxo de Jevons Estrutural
A Palantir identificou um fenômeno similar: um nível de desempenho equivalente ao do GPT-4, que antes custava aproximadamente US$ 20 por milhão de tokens no início de 2023, ficou cerca de mil vezes mais barato três anos depois. Essa redução de custos não levou a uma diminuição nos gastos corporativos com IA, mas sim a um aumento exponencial no consumo de processamento.
Pesquisadores da Zhang e Zhang descreveram essa dinâmica como o “Paradoxo de Jevons Estrutural”, destacando que as empresas não apenas utilizam a mesma capacidade computacional de forma mais barata, mas também reformulam suas arquiteturas tecnológicas para consumir volumes muito maiores de processamento.
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Impacto nos Gastos e Investimentos
As consequências desse paradoxo são evidentes nos orçamentos corporativos. Os gastos com inferência – a etapa em que modelos de IA processam pedidos e geram respostas – aumentaram significativamente, passando de cerca de 20% dos custos de IA em 2023 para até 85% em algumas empresas em 2026.
Em 2026, os investimentos globais em inferência superaram US$ 50 bilhões, ultrapassando os gastos destinados ao treinamento de novos modelos. Esse movimento demonstra uma mudança fundamental na forma como as empresas estão utilizando a IA.
Crescimento da Palantir e a Governança da IA
A Palantir registrou um crescimento notável no primeiro trimestre de 2026, com uma receita de US$ 1,63 bilhão, um aumento anual de 85%. O segmento comercial americano avançou 133%, para US$ 595 milhões, enquanto a divisão governamental cresceu 84%, chegando a US$ 687 milhões.
A retenção líquida de receita, que mede a expansão do consumo de IA por clientes existentes, saltou para 150%. A empresa enfatiza que o valor mais importante não está apenas na IA em si, mas na capacidade de organizar, controlar e operacionalizar esse consumo dentro das empresas, através de uma estrutura chamada “ontologia”.
A “Zona Sem Lixo” e a Busca por Utilidade
A explosão no consumo de IA também gerou um problema: o aumento de conteúdo automatizado de baixa qualidade, conhecido como “slop”. A Palantir opera em uma “zona sem lixo”, criticando a estratégia de “tokenmaxxing” – maximizar o volume de tokens processados sem considerar o valor entregue.
A empresa busca transformar o processamento de IA em sistemas utilizáveis, auditáveis e integrados às operações reais das empresas, em uma disputa crescente dentro do mercado de IA.
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