Governo Lula e a “Entrega” Estratégica de Terras Raras a EUA?

Negociação Estratégica de Terras Raras: Uma Análise Detalhada
A recente transação entre a mineradora de terras-raras, localizada em Minaçu (GO), e a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, em abril de 2026, tem gerado debates acalorados. O governo e aliados têm utilizado o evento para enfatizar a importância da defesa do Brasil contra a exploração de potências estrangeiras, mas a situação é mais complexa do que aparenta.
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A mineradora, na verdade, nunca foi propriedade do Brasil, e o governo federal esteve envolvido em todo o processo, optando por intervir em momentos cruciais.
A Proteção Nacional e a Visão do Presidente Lula
O presidente (PT), aliados e parte da mídia têm sugerido que o governo de Goiás “entregou” uma empresa estratégica brasileira ao capital norte-americano. No entanto, a Serra Verde, como a operação se chama, foi construída com capital estrangeiro desde sua fundação em 2010, com investidores de Boston, Houston e do Reino Unido, liderados pelo ex-CEO da Xstrata, Mick Davis.
Não há um fundador brasileiro, nem um fundo nacional associado ao empreendimento. A transação representou uma troca de controle entre grupos estrangeiros, e não a venda de uma empresa brasileira a investidores internacionais.
O Papel do Governo Federal e a Busca por Autonomia
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou empréstimos para apoiar a Serra Verde em 2025, durante o governo Lula. A movimentação de capital, em abril de 2026, foi apenas uma mudança de controle entre estruturas financeiras euro-americanas.
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O governo de Goiás não teve papel na negociação, pois não possuía a competência para tal, apesar da declaração de intenções de boa-fé entre os governos estadual e dos EUA. O subsolo brasileiro é de propriedade da União, conforme determina o artigo 20, inciso 9 da Constituição, e a concessão de lavra é de competência federal.
A Inação Histórica e a Nova Estratégia
Análises apontam que o Brasil teve diversas oportunidades de regular o uso e a exportação de terras-raras, mas não as aproveitou ao longo das últimas décadas. Essa inação se repetiu durante os governos Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer, Bolsonaro e Lula 3.
A primeira oportunidade ocorreu durante o governo Lula 2, quando a concessão de lavra foi outorgada sem condicionantes, permitindo a exportação quase total do minério bruto para a Shenghe Resources (empresa chinesa) por 14 anos. A segunda chance surgiu em agosto de 2025, com a aprovação de um empréstimo da DFC (US Development Finance Corporation) à Serra Verde, que unilateralmente encerrou contratos com a China.
A terceira oportunidade se apresentou em 1º de abril de 2026, quando o Financial Times revelou que o empréstimo da DFC continha cláusulas determinando o destino comercial do minério, com controles para garantir que fosse para os Estados Unidos e países aliados.
O Futuro dos Minerais Críticos no Brasil
Diante desse cenário, o governo Lula 3, liderado pelo presidente (PT), busca fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência de fontes externas. Em fevereiro, Lula declarou que o Brasil deve aproveitar suas reservas para impulsionar a indústria nacional, buscando não apenas exportar matéria-prima, mas também produzir no país e gerar empregos.
O tema será central na reunião do presidente Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca nesta 5ª feira (7.mai.2026).
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