FMI alerta: Países em dilema fiscal e pressão inflacionária em 2025; o que esperar?

FMI Alerta: Países Enfrentam Pressão Inflacionária com Balanços Fiscais Comprometidos
Diversos países não conseguiram sanear suas contas fiscais e agora enfrentam uma nova onda de pressão inflacionária. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira sobre um cenário de margem de manobra extremamente reduzida.
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O relatório aponta que a trajetória da dívida mundial em 2025 segue piorando, forçando as autoridades a um dilema complexo: proteger a população dos aumentos de preços ou manter a saúde fiscal.
O Dilema Fiscal e o Impacto Geopolítico
Esse aperto é agravado pela interrupção no fornecimento de energia e pelo endurecimento das condições financeiras. Soma-se a isso o aumento do déficit causado pelo crescimento generalizado dos gastos com defesa, em um cenário de tensões geopolíticas persistentes.
A dívida pública global atingiu cerca de 94% do PIB em 2025. Se as políticas atuais não forem ajustadas, o índice deve ultrapassar os 100% do PIB até 2029, um patamar não visto desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Riscos de Dívida e Recomendações do FMI
O órgão estima que, caso o conflito envolvendo o Irã se prolongue, o risco de dívida global, métrica do FMI, pode subir em mais 4 pontos percentuais. Rodrigo Valdés, diretor de Assuntos Fiscais do FMI, aconselhou cautela.
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“É preciso esforço, mas é possível direcionar a ajuda estatal para evitar o uso excessivo ou regressivo de recursos fiscais, salvaguardando a saúde fiscal. Isso pode exigir realocar fundos, uma medida difícil, mas necessária quando o espaço fiscal é muito limitado”, explicou Valdés.
Cautela em Estímulos Fiscais e Foco na Oferta
Valdés reforçou que, mesmo com maior folga fiscal, é crucial evitar excessos. Ele enfatizou que estimular a economia com gastos desmedidos não é benéfico, pois o problema atual é de oferta, e não de demanda.
Ele alertou para o perigo de os governos aumentarem a demanda quando a oferta — como a de hidrocarbonetos, por exemplo — está temporariamente restrita pelo fechamento do estreito de Ormuz, o que pode gerar mais inflação.
Direcionamento da Intervenção Econômica
O economista sugeriu que a intervenção fiscal deve ser seletiva, direcionada a grupos específicos e de caráter temporário. Em uma visão macroeconômica, uma postura mais passiva é recomendada no ciclo econômico.
Apesar dos choques de oferta, é fundamental não negligenciar a necessidade de melhorar simultaneamente os balanços das dívidas públicas.
Panorama Global da Dívida e Desafios Nacionais
O Monitor Fiscal destaca que não é só o nível da dívida que preocupa, mas também sua trajetória. Com o encarecimento dos financiamentos, os déficits primários estão “estruturalmente mais amplos”, diminuindo a margem de manobra dos países.
Os Estados Unidos estão com déficits muito altos, entre 7% e 8% do PIB, em condições próximas ao pleno emprego, sem um plano de consolidação crível. As projeções do FMI mostram que a dívida americana pode subir de 124% para 142% do PIB até 2031.
Diferentes Cenários Econômicos
A China segue com expansão fiscal, gerando déficits de 8% para reanimar o consumo e combater a deflação, com a dívida projetada em 127% do PIB em cinco anos. O Japão, com a maior dívida do mundo desenvolvido (cerca de 230% do PIB), viu seu balanço melhorar, mas os rendimentos recordes geram temores de contágio.
A Europa mantém o cenário de 2025, com menor disciplina fiscal devido aos gastos de defesa, espaço fiscal apertado e população envelhecida. As economias emergentes, mais expostas à guerra no Irã, possuem colchões fiscais menores, vencimentos mais curtos e prêmios de risco mais altos.
Neste grupo, os países de baixa renda enfrentam pressão adicional devido aos rendimentos recordes e à redução das ajudas ao desenvolvimento.
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