Flávio Bolsonaro Apodeixa Ciro como Ideal para Vice em Chapa Polêmica

Pré-Candidato do PL Aponta Ciro como Ideal para Vice em Chapa
Em 7 de maio de 2026, o pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, declarou que o então senador Pedro Kalil (PP-PI) possuía um “bom perfil” para atuar como vice em uma chapa liderada pelo próprio Bolsonaro.
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A fala ocorreu durante uma entrevista à Flávio disse, à época, que considerava Kalil um nome promissor para a função, destacando sua força regional, o apoio do partido e a relação de confiança com o então presidente Jair Messias Bolsonaro. O senador piauiense se tornou parte da nova fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF) para investigar supostas fraudes no Banco Master.
Contexto da Investigação
As declarações de Flávio foram feitas em meio a uma extensa investigação que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o senador e Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, Vorcaro teria fornecido vantagens econômicas a Flávio em troca de apoio político no Congresso a interesses de grupos econômicos ligados ao Banco Master.
A decisão do ministro André Mendonça, da Justiça Federal, confirmou as suspeitas, afirmando que os elementos reunidos indicavam um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade”.
A PF apresentou um documento em PDF (298 kB) detalhando as descobertas da investigação.
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Como Funcionou o Esquema, Segundo a PF
A investigação da Polícia Federal identificou quatro frentes principais no esquema investigado: a atuação legislativa em favor do Banco Master, pagamentos mensais e benefícios pessoais, a operação societária considerada irregular e o uso de empresas para ocultar movimentações financeiras.
A PF detalhou como o esquema operava, com foco nas mensagens trocadas entre os envolvidos e nos documentos apreendidos.
A Emenda ao FGC
Um ponto central da investigação foi a elaboração de uma emenda ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) proposta pelo então senador Ciro Nogueira. A proposta visava aumentar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A investigação revelou que o texto foi elaborado pela assessoria do Banco Master, enviado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em formato de carta destinada a “Ciro”.
A PF afirmou que o conteúdo da emenda reproduzia integralmente a versão preparada pelo banco, com mensagens atribuídas a Vorcaro indicando que a emenda “saiu exatamente como mandei”. A investigação também apontou que, internamente, o banco avaliava que a emenda poderia “sextuplicar” os negócios do Master e provocar uma “hecatombe” no mercado financeiro.
Os Pagamentos Mensais
A investigação também se concentrou em repasses periódicos atribuídos ao grupo de Vorcaro em favor de Flávio Bolsonaro. Segundo a PF, existia uma “parceria BRGD/CNLF” usada para operacionalizar pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil. Mensagens trocadas entre Felipe Cançado Vorcaro e Daniel Vorcaro revelaram a continuidade dos pagamentos, com questionamentos sobre o valor e a frequência das transferências.
A PF considerou essas mensagens como evidência de uma relação financeira entre os dois.
A Compra de Ativo de R$ 13 Milhões
A investigação também apontou uma operação societária suspeita envolvendo a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., ligada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira. A empresa comprou a fatia por R$ 1 milhão, mas a PF estimou o valor de mercado da empresa em cerca de R$ 13 milhões, o que representaria um “deságio expressivo” e uma vantagem econômica indireta para Flávio.
A empresa gerava dividendos milionários, segundo os cálculos da PF, com um investimento que se pagava em um ano.
Viagens, Hotel e Imóvel de Luxo
A decisão também mencionou benefícios pessoais atribuídos ao grupo de Vorcaro em favor de Flávio Bolsonaro, incluindo custeio de viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo (como o Park Hyatt New York), voos privados, uso gratuito de um imóvel de alto padrão e disponibilização de cartões de crédito para despesas pessoais.
A decisão citou hospedagens no Park Hyatt New York e gastos relacionados ao senador e à sua acompanhante.
Medidas Cautelares
O ministro André Mendonça determinou medidas cautelares contra o senador Ciro Nogueira e o irmão dele, Raimundo Neto, e outros investigados da operação Compliance Zero. Ciro foi proibido de ter qualquer contato com testemunhas ou investigados, enquanto Raimundo Neto terá que usar tornozeleira eletrônica, não poderá deixar o município onde reside e deverá entregar o passaporte à Polícia Federal em 48 horas.
As atividades de quatro empresas apontadas pela PF como instrumentos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial foram suspensas.
O Que Diz Ciro Nogueira
A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que repudia “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação do congressista e declarou que ele não teve participação em atividades ilícitas nem nos fatos investigados. Os advogados também disseram que Ciro está à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça e criticaram as medidas cautelares autorizadas no caso.
Segundo a defesa, as decisões foram tomadas com base em “mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, o que, na avaliação do senador, exigiria “reflexão e controle severo de legalidade” pelas cortes superiores.
Outro Lado
O Poder360 procurou a defesa de Daniel Vorcaro por meio de aplicativo de mensagens para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
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