Fim do 6×1: Governo defende aplicação imediata e novas regras no trabalho em 2026

Ministério do Trabalho e Presidência Defendem Implementação Imediata do Fim da Escala 6×1
O ministro do Trabalho e o ministro da Secretaria Geral da Presidência defenderam nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, que o fim da escala de trabalho 6 por 1 não necessita de um período de adaptação para as empresas. Essa posição contraria setores do Congresso Nacional que pleiteiam regras de transição antes de qualquer alteração.
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A Posição do Governo: Aplicação Imediata da Nova Jornada
Marinho afirmou a jornalistas no Palácio do Planalto que “a proposta do governo é aplicação imediata“. Ele ressaltou, contudo, que o Congresso mantém autonomia para modificar o texto, pois “compete ao governo fazer a defesa do seu projeto”.
Detalhes da Nova Organização do Trabalho
O ministro esclareceu que o projeto de lei (PL) contempla diversos formatos de organização da jornada. Estão previstos modelos como a escala 5 por 2, com jornada de 8 horas diárias, ou a 4 por 3, totalizando 10 horas diárias, dependendo de negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores.
O objetivo do governo é estabelecer uma jornada máxima de 40 horas semanais, mantendo os salários atuais e garantindo dois dias de descanso por semana. A implementação imediata, sem prazo de adaptação, é vista pelo Planalto como um meio de simplificar o texto e evitar negociações muito longas.
Argumentos para a Implementação Imediata
Argumenta-se que o impacto nos custos operacionais será compensado pelo aumento da produtividade. Marinho apresentou um exemplo de um comércio em Brasília que, mesmo antes da lei, migrou espontaneamente da escala 6×1 para a 5×2, zerando faltas diárias que antes eram de 24.
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A Perspectiva dos Trabalhadores e Empresas
Segundo o ministro, a motivação da empresa não foi apenas altruísta. O estabelecimento não conseguia preencher vagas porque os trabalhadores recusavam empregos na escala anterior. Ele relatou ouvir de um recrutador em um feirão de empregos na Esplanada que pessoas alegavam não poderem trabalhar devido a cuidados com filhos ou cursos.
Já Boulos apontou que o impacto sobre as empresas seria comparável ao de um aumento real do salário mínimo, abrangendo desde a construção civil até o comércio. Essa medida já está integrada à política econômica do governo.
Implicações Legislativas e Resistência Política
Sobre o rito legislativo, Marinho explicou que usar um PL em vez de esperar pela PEC é uma forma de avançar, pois o projeto de lei não altera a Constituição e exige apenas maioria simples, tramitando mais rapidamente.
A PEC seguirá em paralelo, servindo para blindar a mudança no futuro, impedindo que ela seja revertida por lei ordinária, como ocorreu em governos anteriores. Para Boulos, a resistência das confederações patronais é previsível e não invalida os dados técnicos apresentados no projeto.
No Congresso, os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, estariam trabalhando para adiar a proposta até após as eleições, considerando-a uma medida de cunho eleitoreiro. O governo articula a tramitação da PEC, que deve ser votada nesta quarta-feira (15.abr) na CCJ, etapa inicial do processo legislativo.
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