Fies em Crise: Governo Lança Plano de Renegociação com Desafios Urgentes

Desenrola 2.0: Fies em Dificuldade e Desafios Políticos
O presidente da República (PT) anunciou nesta segunda-feira (3 de maio de 2026) o Desenrola 2.0, um programa de renegociação de dívidas com taxas de juros que podem chegar a 1,99% ao mês e descontos que variam de 30% a 90%. Uma das prioridades do programa é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), onde 65,1% dos 2,47 milhões de contratos ativos estão inadimplentes.
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A dívida acumulada do Fies cresceu continuamente nos últimos 10 anos, atingindo um montante de R$ 120 bilhões, segundo dados recentes fornecidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A Crise no Fies e a Inadimplência
A inadimplência no Fies atingiu níveis alarmantes em 2026, representando o maior volume de atrasos desde a criação do programa. Em 2014, quando o número de contratos era elevado, 31% dos estudantes estavam em atraso. Atualmente, quase dois estudantes a cada três enfrentam dificuldades financeiras.
A concentração da inadimplência ocorre nas regiões Norte e Nordeste, onde as taxas atingem 74,19% e 71,31%, respectivamente. Enquanto isso, na região Sul, a taxa de inadimplência é de 41,34%, a menor do país.
Mudanças nas Regras do Fies
As condições oferecidas pelo Fies já foram bastante generosas no passado. Contratos assinados antes de 2017 isentavam o aluno de qualquer pagamento durante a graduação, mas a cobrança começava após 18 meses de carência. O prazo para quitar a dívida podia chegar a três vezes a duração do curso, com juros de 3,4% ao ano.
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Em 2016, alguns perfis de beneficiários tiveram acesso a taxas de juros zero. O modelo foi alterado no final do governo de Michel Temer (MDB) com a criação do “Novo Fies”, que entrou em vigor no primeiro semestre de 2018. A carência foi eliminada, e os estudantes passaram a pagar encargos trimestrais de até R$ 150 durante o curso.
Além disso, até 20% do salário podem ser descontados automaticamente para abater a dívida.
Desafios e Perspectivas
O dinheiro que financia o Fies vem principalmente do orçamento do Ministério da Educação (MEC), proveniente do Tesouro, abastecido pelos contribuintes. Uma pequena parcela provém de prêmios de loteria não resgatados administrados pela Caixa (R$ 474 mil).
O endividamento no Fies se tornou um problema fiscal, impactando a capacidade do fundo de financiar novos estudantes e pressionando o orçamento federal. Uma pesquisa identificou um padrão de comportamento entre os ex-estudantes financiados pelo FIES, que confundem o financiamento com bolsa de estudos e não planejam a fase de amortização.
A situação é agravada pelo fato de que muitos estudantes priorizam o pagamento do cartão de crédito em relação ao Fies, devido aos altos juros da modalidade mais cara do sistema financeiro brasileiro.
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