El Niño e Inflação: Alimentos em Rotação e Impacto no IPCA em 2026

Pressão Inflacionária: Alimentos e o Impacto do El Niño em 2026
Apesar do choque causado pela guerra e outros eventos globais, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetaram o preço dos combustíveis, um novo fator de pressão inflacionária está ganhando destaque no radar econômico. Economistas preveem que, a partir de 2025, a inflação dos alimentos poderá aumentar significativamente, imposta por uma combinação de fatores que dificultam a tarefa do Banco Central de manter a meta de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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A dinâmica que se observa atualmente, com preços relativamente estáveis nos alimentos, pode dar lugar a dois anos consecutivos de alta inflação, como apontam análises da Warren Investimentos. Essa situação é agravada não apenas pela instabilidade geopolítica, mas também por eventos climáticos, como a possibilidade de um El Niño forte em 2026, que, em cenários extremos, poderia adicionar até 2 pontos percentuais à inflação acumulada no biênio.
O Impacto do El Niño e das Condições Climáticas
A probabilidade de um El Niño de 2026 se intensificar coincide com um período de seca na região Sudeste, criando uma situação crítica. Estimativas indicam que essa combinação pode elevar a inflação em até 2 pontos percentuais. A preocupação se intensifica com o peso significativo que a alimentação tem no IPCA, representando mais de 21% do índice, e chegando a 24,3% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com menor renda.
Itens Mais Vulneráveis à Inflação
Diversos itens alimentícios são particularmente vulneráveis a essa pressão inflacionária. Segundo a RB Investimentos, carnes, carnes e peixes industrializados, aves, ovos, leite e derivados, panificados e óleos e gorduras estão no topo da lista de itens com maior potencial de repasse de preços.
Além disso, cereais, leguminosas, alimentação fora de casa e bebidas também apresentam um risco elevado. A análise da plataforma de investimentos, da plataforma de investimentos, estima que esses itens representem um impacto de 1,7 ponto porcentual até 2027 na inflação.
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Projeções e Riscos para o Futuro
Economistas como Sergio Vale, da MB Associados, e Andréa Angelo, estrategista de inflação da plataforma de investimentos, alertam para a importância de monitorar a dinâmica dos alimentos, especialmente considerando a possível influência do El Niño.
As projeções indicam que a inflação em alimentação e bebidas pode permanecer em torno de 5,4% entre 2026 e 2027, com riscos de alta. Luis Otávio de Souza Leal, da G5 Partners, aponta que anos com formação do El Niño historicamente registraram inflação anual média de alimentos de 11,6%, enquanto sem o fenômeno climático, o dado ficou em 6,1%.
A combinação de fatores climáticos, como o déficit hídrico na segunda safra de milho, e a depreciação do câmbio, pode agravar ainda mais a situação, com um impacto potencial de 0,39 a 0,49 ponto na inflação mensal. A persistência dessa pressão inflacionária representa um desafio adicional para o Banco Central, que já enfrenta um cenário de inflação elevado.
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