Edir Macedo e Digimais sob investigação por manobra financeira controversa

Digimais Busca Limpar Balanço com Manobra Controvertida
O banco Digimais, sob o comando do bispo Edir Macedo e em processo de venda há mais de um ano, implementou uma estratégia para reestruturar seu balanço, que apresentava perdas significativas. Segundo documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas, a instituição bancária transferiu carteiras de financiamento com dívidas de centenas de milhões de reais para fora de suas demonstrações financeiras.
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Essa ação, somada à venda de precatórios destinados à própria holding de Macedo, gerou preocupação entre auditores e levantou suspeitas de irregularidades.
O Digimais, um banco pouco conhecido pelo grande público, não possui agências físicas e não oferece serviços de transação em Pix. Originalmente conhecido como Banco Renner, remetido à família fundadora das Lojas Renner, o banco foi adquirido por Macedo em 2009 e posteriormente renomeado.
A principal carteira do banco é composta por financiamentos de veículos, com um crescimento notável no ramo de créditos consignados. Nos últimos três meses, a reportagem teve acesso a auditorias que detalham os balanços, processos judiciais, contratos e outros documentos relacionados à criação e utilização dos fundos de investimento, com o próprio Digimais como investidor.
Fontes ligadas à Igreja Universal, que preferiram permanecer anônimas, relataram que o banco utilizava esses fundos para mascarar problemas financeiros graves. Especialistas do mercado financeiro classificaram alguns negócios como de “alto risco regulatório” e “sinal vermelho forte”, evidenciando a complexidade e a potencial irregularidade da operação.
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A Polícia Federal (PF) está investigando o banco por suspeitas de fraude. O Digimais e a Igreja Universal não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.
As operações envolvendo os fundos resultaram em lucros de R$ 31 milhões para o banco no final de 2025, apesar de a instituição ter deixado de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, o que poderia aumentar o valor da manobra. A falta de acesso dos auditores oficiais a documentos comprobatórios leva a estimativas de um saldo de investimentos de R$ 3 bilhões em fundos, representando cerca de 75% do valor investido pelo banco.
Essa situação, conhecida como “Zé com Zé” no mercado financeiro, indica que o banco atuava tanto como investidor quanto como cliente em suas próprias operações.
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