Economista prevê cenário de crescimento medíocre no Brasil e alerta para futuro incerto

Economista Alerta para Cenário de Crescimento Medíocre no Brasil
O debate sobre a redução da jornada de trabalho de 6×1 e a consequente diminuição das horas trabalhadas ganha força em um contexto de desafios econômicos para o Brasil. A situação se agrava com o baixo crescimento da produtividade e o fim do chamado “bônus demográfico”, que se refere à predominância da população em idade ativa em relação aos demais grupos etários.
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O economista Samuel Pessoa, pesquisador do BTG Pactual e da FGV Ibre, ressalta que essa tendência de redução da jornada já indica uma aceitação da população em relação a um futuro econômico menos promissor para o país.
Pessoa argumenta que o Brasil provavelmente não apresentará um crescimento significativo entre 2027 e 2030, mesmo sem alterações na jornada de trabalho. Ele enfatiza que a sociedade está, de certa forma, “aceitando um futuro medíocre”. A redução da jornada pode gerar um impacto inflacionário, exigindo que o Banco Central eleve as taxas de juros para tentar controlar essa inflação.
No entanto, o economista não vê um cenário de ruptura para a economia, mas reconhece a falta de evidências sólidas de que a redução da jornada aumente a produtividade.
Evidências e Produtividade
O economista destaca que trabalhar menos e produzir menos pode ser uma escolha da sociedade, mas que essa decisão tende a diminuir o potencial de crescimento do país. Ele também aponta que a jornada média de trabalho no Brasil já está abaixo da prevista na legislação, e que o Brasil não está mais no “país do futuro”, como costumava ser visto.
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A comparação com economias do Sudeste Asiático, que enriqueceram com jornadas de trabalho mais longas, reforça essa perspectiva.
Potencial de Crescimento Limitado
Samuel Pessoa utiliza dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli da FGV Ibre para ilustrar que o potencial de crescimento da economia brasileira já é baixo, mesmo sem a redução da jornada. O estudo indica que a produtividade do trabalho cresceu apenas 0,3% ao ano entre 2022 e 2025, enquanto a população continua a crescer em torno de 0,5%.
Essa diferença, somada ao fim do bônus demográfico, limita o crescimento do PIB a cerca de 1,2% a 1,8% ao ano.
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