Dólar em Alta: Guerra no Oriente Médio Impulsiona Investimentos no Real

Dólar Atrai Investimentos com a Guerra no Oriente Médio
O dólar registrou uma queda significativa em relação ao real na terça-feira, atingindo o menor valor de fechamento em cerca de 27 meses. A cotação final foi de R$ 4,91, uma variação de 1,12%, impulsionada por uma série de fatores, incluindo a persistência do conflito no Oriente Médio e a postura mais cautelosa do Banco Central.
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O evento, que envolve a disputa entre Irã e Estados Unidos no Golfo Pérsico, tem gerado incertezas globais e influenciado o apetite dos investidores por ativos de risco.
Fatores que Influenciaram a Queda do Dólar
Apesar da tendência geral de alta nos ativos de risco em todo o mundo, a guerra no Oriente Médio, especificamente o cessar-fogo interrompido entre Irã e Estados Unidos, exerceu pressão sobre o dólar. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou que as trocas de tiros no Golfo Pérsico continuavam, enquanto as partes lutavam pelo controle da hidrovia.
O presidente Donald Trump, por sua vez, minimizou a capacidade militar do Irã, sugerindo que Teerã deveria aceitar a rendição. Essa conjuntura favoreceu a busca por ativos de risco, como ações e divisas de países emergentes, impulsionando a valorização do rand sul-africano, peso mexicano e peso chileno.
Relação com o Banco Central e o Carry Trade
A queda do dólar também foi influenciada pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O BC avaliou que a incerteza em relação à resolução do conflito no Oriente Médio aumentava o risco de impactos duradouros na economia global.
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A perspectiva de que o Banco Central mantivesse as taxas de juros elevadas, devido à inflação, incentivou o “carry trade”, uma estratégia em que investidores pegam recursos em moedas com taxas de juros baixas, como o iene japonês, e aplicam em mercados com taxas mais altas, como o Brasil.
Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, destacou que os juros elevados no Brasil e a percepção de que o Copom manteria a Selic em patamares altos, reforçaram a atratividade do país para o carry trade. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explicou que a entrada de recursos comerciais, impulsionada pelo preço do petróleo em US$ 110, e o fluxo financeiro, devido ao diferencial de juros, contribuíram para a valorização do real.
Desempenho do Ibovespa
Paralelamente à queda do dólar, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrou um aumento de 0,62%, impulsionado principalmente pelo desempenho das ações da Ambev, que apresentou resultados trimestrais acima das expectativas.
Investidores também acompanharam de perto a situação no Oriente Médio e a ata do Copom, que sinalizou uma postura conservadora do Banco Central em relação à política monetária. O índice fechou em 186.753,82 pontos.
Nicolas Gass, sócio da GT Capital, atribuiu o bom desempenho da bolsa ao recuo nos preços do petróleo, que reduziu a pressão inflacionária e melhorou o humor dos mercados. Ele também mencionou um “tom mais conciliador” no cenário do Oriente Médio, após declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que indicavam que o Projeto Liberdade tinha caráter defensivo e temporário.
Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,81%.
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