Dólar acima de R$ 5: Irã e tensões no Oriente Médio acalmam o câmbio?

Dólar ultrapassa R$ 5 em meio à instabilidade global e tensões no Oriente Médio
O dólar americano voltou a negociar acima da marca de R$ 5, reacendendo discussões sobre o futuro da moeda em um cenário internacional ainda turbulento, especialmente devido ao conflito no Irã. Nesta quinta-feira, dia 23, o valor superou o patamar simbólico, revirando uma tendência que havia sido quebrada há mais de dois anos.
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Durante o pregão, a cotação flutuou entre a mínima de R$ 4,94 e a máxima de R$ 5,017, indicando um dia de grande volatilidade cambial. A dinâmica do câmbio no Brasil foi influenciada por fatores externos, mas também encontrou suporte em fundamentos econômicos locais.
Análise do Fluxo Cambial no Brasil
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio, observou que o real ganhou força considerável frente ao dólar durante o dia. Ela apontou que esse movimento sugere um fluxo especulativo entrando no Brasil, impulsionado pela atratividade das taxas de juros domésticas.
Segundo Quartaroli, a expectativa de manutenção de juros elevados por um período mais longo, em linha com os sinais do Banco Central e a persistência inflacionária, tem sido o principal motor desse fluxo de capital. Contudo, o cenário mudou no final da sessão.
Impacto das Tensões no Oriente Médio
A moeda americana ganhou força no final do dia, acompanhando o agravamento do ambiente externo, particularmente as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. A economista Quartaroli ressaltou que a força do dólar está ligada à persistência das tensões.
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A piora do sentimento global foi acentuada após a imprensa israelense noticiar a suposta retirada do presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, das negociações com os EUA. Este afastamento diminui as chances de um acordo entre Washington e Teerã.
Fatores que Pressionam o Dólar Globalmente
O cenário se complicou com novas declarações de Donald Trump, que ordenou à Marinha americana que agisse contra embarcações que lançam minas no Estreito de Ormuz. Trump também determinou o aumento das operações de limpeza e pressionou o Irã, local estratégico para o petróleo mundial.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, atribuiu a alta do dólar ao aumento da aversão global ao risco. Ele observou que o dólar superou os R$ 5,00 em linha com a deterioração do clima no Oriente Médio.
Commodities e Risco Global
Shahini apontou que a alta no preço do petróleo elevou o prêmio de risco global, o que pressiona as expectativas de inflação e juros. O tipo Brent, por exemplo, subiu 4,29%, atingindo US$ 106,34 o barril.
Além disso, a abertura das Treasuries, acompanhada pelo aumento dos *yields*, fortaleceu a moeda americana mundialmente. Esse movimento reflete uma recomposição de posições defensivas, fazendo o câmbio reagir diretamente ao medo global.
Revisão do Cenário Cambial Internacional
Analisando dados do Financial Times, fica claro que o dólar atravessa um momento de inflexão. No início do conflito no Oriente Médio até o fim de março, o dólar se valorizou globalmente, desvalorizando moedas como o rand sul-africano e o won sul-coreano.
Entretanto, em abril, o cenário inverteu. Com o alívio parcial das tensões e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o dólar perdeu força, beneficiando moedas globais. O real brasileiro, em particular, teve um desempenho notável, valorizando mais de 4% em abril, após cair cerca de 1% até o fim de março.
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