Dieta GAPS: Pais Alertam Sobre Riscos na Introdução Alimentar de Bebês

Dieta GAPS: Alerta sobre riscos na introdução alimentar de bebês! Pais buscam alternativas, mas especialistas alertam para falta de evidências e possíveis

18/05/2026 16:15

3 min

Dieta GAPS: Pais Alertam Sobre Riscos na Introdução Alimentar de Bebês
(Imagem de reprodução da internet).

Dieta GAPS: Protocolo Alimentar e Riscos para Bebês

A dieta “GAPS”, ou “GAPS”, um protocolo alimentar que restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, tem ganhado popularidade no Brasil e no mundo, inclusive entre pais que buscam alternativas para a introdução alimentar de seus bebês.

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Embora alguns pais relatem melhoras na saúde ao evitar o que consideram “toxinas”, especialistas alertam para a falta de evidências científicas que comprovem seus benefícios e para os riscos potenciais, especialmente em crianças.

Baby GAPS e Introdução Alimentar

Nas redes sociais e em fóruns online, pais compartilham experiências com a “Baby GAPS”, uma versão do protocolo adotada por alguns já a partir dos 4 meses de idade. O modelo, desenvolvido pela médica e nutricionista britânica Natasha Campbell-McBride em 2004, originalemente pensado para adultos, prioriza um alto consumo de proteínas animais e a utilização de alimentos pastosos, como caldos e sopas à base de ossos e carnes, além do uso frequente de probióticos e a introdução lenta de sólidos.

No entanto, essa abordagem pode não melhorar a imunidade ou o desenvolvimento neurológico dos bebês.

Alertas de Especialistas

“Não existem ensaios clínicos robustos que validem a dieta GAPS, e as sociedades Europeia e Norte-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica não recomendam seu uso. Pelo contrário, destacam que dietas altamente restritivas, sem indicação médica formal, podem acarretar riscos nutricionais significativos, como deficiências de micronutrientes e restrição calórica”, alerta a gastropediatra Camila Torga de Lima e Silva, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

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Desinformação e Hipóteses Refutadas

A popularização da Baby GAPS também é impulsionada por desinformação. Em alguns conteúdos, a dieta é associada à melhora da imunidade de bebês prematuros ou com sensibilidades alimentares, e até indicada com base em alegações sobre a relação entre vacinação, “toxinas” e desenvolvimento de autismo, hipóteses já refutadas pela ciência. “Não há evidência robusta de que o intestino permeável seja causa primária de doenças neurológicas ou psiquiátricas, nem de que sua modulação por dietas específicas resulte em melhora clínica dessas condições”, afirma Silva.

Restrições e Diretrizes Pediatricas

Além da restrição de açúcar, que possui respaldo científico, a Baby GAPS proíbe alimentos como feijão e pão, enquanto as diretrizes pediátricas atuais recomendam a introdução do feijão a partir dos 6 meses, concomitantemente ao início da alimentação complementar.

A introdução de alimentos como o glúten é indicada apenas em casos de doença celíaca confirmada. A exposição precoce a alimentos pastosos também pode prejudicar o desenvolvimento motor oral da criança.

Recomendações para uma Boa Introdução Alimentar

As diretrizes pediátricas internacionais e brasileiras orientam iniciar a alimentação complementar à amamentação aos 6 meses de idade, com base em sinais de prontidão como o controle da cabeça e do tronco e o interesse do bebê pelos alimentos.

A recomendação é introduzir alimentos de forma gradual e variada, com a mais ampla diversidade alimentar natural possível para a formação saudável do paladar e a prevenção de alergias.

Diversidade e Segurança

Orienta-se a introdução de um alimento novo por vez, sem necessidade de ordem rígida, com especial atenção à introdução precoce de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo, amendoim, peixe e trigo. Evidências atuais demonstram que a introdução desses alimentos dentro da chamada ‘janela imunológica’ está associada a maior tolerância oral e redução do risco de alergias alimentares.

Alimentação Equilibrada

A alimentação deve incluir vegetais, frutas, cereais, leguminosas e fontes de proteína. A consistência dos alimentos deve evoluir progressivamente, acompanhando o desenvolvimento motor da criança. A partir dos 10 a 12 meses, a criança pode evoluir para a alimentação da família, atentando-se para a adição de sal, recomendada apenas após 1 ano de idade, conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria.

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