Dieta GAPS: Pais Alertam Sobre Riscos na Introdução Alimentar de Bebês

Dieta GAPS: Protocolo Alimentar e Riscos para Bebês
A dieta “GAPS”, ou “GAPS”, um protocolo alimentar que restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, tem ganhado popularidade no Brasil e no mundo, inclusive entre pais que buscam alternativas para a introdução alimentar de seus bebês.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Embora alguns pais relatem melhoras na saúde ao evitar o que consideram “toxinas”, especialistas alertam para a falta de evidências científicas que comprovem seus benefícios e para os riscos potenciais, especialmente em crianças.
Baby GAPS e Introdução Alimentar
Nas redes sociais e em fóruns online, pais compartilham experiências com a “Baby GAPS”, uma versão do protocolo adotada por alguns já a partir dos 4 meses de idade. O modelo, desenvolvido pela médica e nutricionista britânica Natasha Campbell-McBride em 2004, originalemente pensado para adultos, prioriza um alto consumo de proteínas animais e a utilização de alimentos pastosos, como caldos e sopas à base de ossos e carnes, além do uso frequente de probióticos e a introdução lenta de sólidos.
No entanto, essa abordagem pode não melhorar a imunidade ou o desenvolvimento neurológico dos bebês.
Alertas de Especialistas
“Não existem ensaios clínicos robustos que validem a dieta GAPS, e as sociedades Europeia e Norte-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica não recomendam seu uso. Pelo contrário, destacam que dietas altamente restritivas, sem indicação médica formal, podem acarretar riscos nutricionais significativos, como deficiências de micronutrientes e restrição calórica”, alerta a gastropediatra Camila Torga de Lima e Silva, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Desinformação e Hipóteses Refutadas
A popularização da Baby GAPS também é impulsionada por desinformação. Em alguns conteúdos, a dieta é associada à melhora da imunidade de bebês prematuros ou com sensibilidades alimentares, e até indicada com base em alegações sobre a relação entre vacinação, “toxinas” e desenvolvimento de autismo, hipóteses já refutadas pela ciência. “Não há evidência robusta de que o intestino permeável seja causa primária de doenças neurológicas ou psiquiátricas, nem de que sua modulação por dietas específicas resulte em melhora clínica dessas condições”, afirma Silva.
Restrições e Diretrizes Pediatricas
Além da restrição de açúcar, que possui respaldo científico, a Baby GAPS proíbe alimentos como feijão e pão, enquanto as diretrizes pediátricas atuais recomendam a introdução do feijão a partir dos 6 meses, concomitantemente ao início da alimentação complementar.
A introdução de alimentos como o glúten é indicada apenas em casos de doença celíaca confirmada. A exposição precoce a alimentos pastosos também pode prejudicar o desenvolvimento motor oral da criança.
Recomendações para uma Boa Introdução Alimentar
As diretrizes pediátricas internacionais e brasileiras orientam iniciar a alimentação complementar à amamentação aos 6 meses de idade, com base em sinais de prontidão como o controle da cabeça e do tronco e o interesse do bebê pelos alimentos.
A recomendação é introduzir alimentos de forma gradual e variada, com a mais ampla diversidade alimentar natural possível para a formação saudável do paladar e a prevenção de alergias.
Diversidade e Segurança
Orienta-se a introdução de um alimento novo por vez, sem necessidade de ordem rígida, com especial atenção à introdução precoce de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo, amendoim, peixe e trigo. Evidências atuais demonstram que a introdução desses alimentos dentro da chamada ‘janela imunológica’ está associada a maior tolerância oral e redução do risco de alergias alimentares.
Alimentação Equilibrada
A alimentação deve incluir vegetais, frutas, cereais, leguminosas e fontes de proteína. A consistência dos alimentos deve evoluir progressivamente, acompanhando o desenvolvimento motor da criança. A partir dos 10 a 12 meses, a criança pode evoluir para a alimentação da família, atentando-se para a adição de sal, recomendada apenas após 1 ano de idade, conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


