Copasa: Privatização Suspeita e R$ 2,7 Bi Abaixo do Valor Real!

Privatização da Copasa: Propostas Subvalorizadas, Aponta Sindicato
Um levantamento realizado pelo Sindiágua-MG, o sindicato dos trabalhadores da área de saneamento em Minas Gerais, aponta que as propostas apresentadas pela Aegea e pela Equatorial para a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) podem ter ficado R$ 2,7 bilhões abaixo do valor considerado adequado para a empresa.
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Essa avaliação surge em um cenário de expectativa de pelo menos cinco concorrentes no processo de privatização.
Expectativas e Desafios na Privatização
O presidente do Sindiágua-MG, Milton Costa, explicou que o modelo de privatização escolhido, que envolve a venda de 30% das ações da Copasa na bolsa de valores (B3), acabou subvalorizando a empresa. O governo de Minas Gerais busca transferir o controle acionário para a iniciativa privada, mas manterá o poder de veto em decisões estratégicas.
O objetivo principal é utilizar os recursos para auxiliar no pagamento da dívida estadual com a União, que totaliza R$ 180 bilhões.
No entanto, Costa ressalta que a precificação inadequada dos ativos da companhia e a vinculação do valor da operação a incertezas do mercado e do cenário econômico internacional aumentaram a volatilidade, impactando diretamente o valor das ações da Copasa.
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Ele também aponta para o curto prazo dado para a análise e apresentação das propostas – apenas 14 dias – e as exigências rigorosas do edital, como a garantia bancária de R$ 7 bilhões e a comprovação de investimentos de R$ 6,3 bilhões nos últimos cinco anos, como fatores que afastaram investidores internacionais.
Dificuldades na Competição e Mudanças no Mercado
Costa argumenta que as exigências excessivas reduziram a competitividade da disputa, com apenas dois grupos apresentando propostas. Além disso, a falta de garantia de que a futura controladora cumprirá as obrigações contratuais é uma preocupação.
O presidente do sindicato também destaca uma mudança na percepção do mercado sobre o setor de saneamento, com investidores demonstrando menor interesse após expectativas otimistas sobre o retorno financeiro dos ativos.
Fatores como juros elevados, o aumento do risco dos projetos e a limitação da capacidade de endividamento das empresas do setor contribuíram para essa redução do interesse. O sindicato entrou com uma nova ação no TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais) pedindo a suspensão da licitação, argumentando que a disputa se tornou desequilibrada, com a Sabesp desistindo de participar e deixando a disputa com apenas um concorrente efetivo.
Resposta da Copasa e Próximos Passos
A Copasa respondeu ao processo afirmando que a operação foi conduzida de forma acelerada para garantir recursos ao pagamento da dívida do estado. A empresa defende que a exigência de garantia de R$ 7 bilhões visa assegurar a seleção de investidores qualificados e garante que a futura controladora conseguirá cumprir as metas de universalização dos serviços de saneamento.
Em nota, a Copasa informou que a oferta de ações e o cronograma foram atualizados e serão apresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e divulgados ao mercado.
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