Chorume em lixões: o risco invisível que contamina solo e água no Brasil

Descubra o perigo invisível do chorume em lixões e aterros no Brasil. Saiba como esse líquido tóxico ameaça solo e água, e o que fazer!

25/04/2026 07:38

4 min

Chorume em lixões: o risco invisível que contamina solo e água no Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

O Impacto Invisível do Chorume em Lixões e Aterros no Brasil

A poluição por lixo é um problema crônico no Brasil, afetando desde os aterros sanitários até os inúmeros lixões ainda em operação. Poucos percebem que, junto ao resíduo sólido, forma-se um líquido altamente poluente: o chorume. Quando esse líquido não recebe o tratamento adequado, ele deixa de ser apenas uma questão ambiental e se torna um grave risco à saúde pública.

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Compreender a formação do chorume, seus impactos ambientais e as soluções existentes é fundamental para debater um futuro mais sustentável na gestão de resíduos sólidos em todo o país.

O que é o Lixiviado de Aterro e Seus Riscos

O “lixiviado de aterro de resíduos sólidos”, popularmente conhecido como chorume, é o líquido gerado pela decomposição das substâncias presentes nos resíduos depositados em aterros e lixões. Caracterizado por uma cor escura e odor forte, ele carrega substâncias tóxicas capazes de contaminar tanto o solo quanto os recursos hídricos.

Diferenças de Tratamento entre Aterros e Lixões

Nos aterros sanitários modernos, existem sistemas adequados de impermeabilização na base. O lixo é coberto com solo, e o líquido formado é drenado e acumulado em lagoas de chorume, sendo então encaminhado para tratamento especializado.

Em contrapartida, nos lixões, o chorume consegue atravessar os resíduos e infiltrar-se diretamente no solo, podendo atingir o lençol freático. Esse processo contamina tanto o solo quanto as águas subterrâneas, um risco ainda maior em lixões.

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Fatores que Influenciam a Composição do Chorume

A composição do chorume varia muito, pois os aterros são ambientes dinâmicos. Fatores como o tipo de resíduo, as condições climáticas locais (chuva e temperatura), o formato do aterro e a permeabilidade da cobertura influenciam seu volume e sua composição físico-química e microbiológica.

Os componentes incluem compostos orgânicos, como ácidos fúlvicos, além de nitrogênio amoniacal e íons cloreto. Metais pesados, como cádmio, cromo, níquel e chumbo, podem estar presentes, mas geralmente em baixas concentrações, pois a presença deles depende do resíduo disposto.

Consequências Ambientais e de Saúde Pública

A contaminação por chorume pode causar a redução drástica de oxigênio em rios e córregos, levando à morte de organismos aquáticos. Além disso, pode ocorrer o fenômeno de eutrofização, que causa a proliferação excessiva de algas e cianobactérias em corpos d’água.

Outro risco sério é a salinização de águas subterrâneas ou superficiais devido à alta concentração de cloreto e sódio, comprometendo o abastecimento humano e usos recreativos. A exposição pode gerar doenças como diarreias e gastroenterites.

O Risco Persistente em Áreas Desativadas

O problema se agrava porque locais de descarte irregular continuam a representar riscos ambientais e à saúde, mesmo após o encerramento formal dos aterros e lixões. Há relatos de que áreas próximas a esses locais ainda sofrem com a contaminação por metais e microrganismos patogênicos.

A persistência desses problemas é agravada por falhas estruturais e desigualdades territoriais, que forçam comunidades a residirem próximas a essas fontes de contaminação, reforçando a necessidade de monitoramento constante.

Métodos de Tratamento e Desafios no Cenário Brasileiro

Não há uma tecnologia única para tratar todos os tipos de chorume. Diversos métodos podem ser aplicados, como o tratamento biológico, físico-químico e tecnologias avançadas de separação por membranas, como a osmose reversa.

No Brasil, o tratamento biológico é o mais comum por ser mais acessível, mas seu uso isolado pode não ser suficiente para atender aos padrões legais. Por isso, a combinação de etapas biológicas e físico-químicas é considerada essencial.

Os Desafios da Gestão de Resíduos no País

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, estabeleceu um marco legal, mas os avanços ainda são insuficientes, especialmente na disposição final adequada. O país ainda não cumpriu os prazos estabelecidos para a eliminação de lixões.

Estima-se que ainda existam muitos locais de descarte irregular, acentuando os riscos. Além disso, dificuldades financeiras limitam a instalação de tecnologias avançadas, e muitas estações de tratamento existentes sofrem com sobrecarga hidráulica, aumentando o risco de vazamentos.

Conclusão: Necessidade de Ação Integrada

Enfrentar a questão dos aterros sanitários e do tratamento de chorume exige melhorias em toda a cadeia de gerenciamento de resíduos. É crucial que o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil debatam e atuem conjuntamente.

A relação entre o consumo, a geração de lixo e os impactos invisíveis do chorume precisa ser tema de debate contínuo, garantindo a proteção ambiental e a saúde das populações brasileiras.

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