China Investe em Carne Sustentável na Amazônia: Novo Acordo Surpreende Brasil

China Busca Carne Sustentável na Amazônia: Um Novo Capítulo no Comércio
Em abril de 2026, Xing Yanling, líder da Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, compartilhou sua experiência inesquecível em uma visita à Amazônia brasileira. A jornada, que a levou a descrever a paisagem como “envolvida por dezenas de milhares de tons de verde”, revelou um interesse crescente por cadeias de suprimentos mais sustentáveis, um movimento que pode ter implicações significativas para o comércio global de commodities.
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A iniciativa de Tianjin, que visa comprar 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o final do ano, representa um valor considerável – 4,5% do volume total de exportações brasileiras de carne bovina para a China em 2026.
Essa mudança de postura desafia a percepção anterior de que a China se concentrava apenas no preço da carne, especialmente considerando os sinais recentes do governo chinês em relação ao impacto ambiental do comércio e a proteção de sua indústria nacional.
Em 2019, a China alterou sua legislação florestal, proibindo o comércio de madeira ilegal, e em 2023, assinou um compromisso com o Brasil para acabar com o desmatamento impulsionado pelo comércio.
Desafios e Oportunidades na Rastreabilidade
André Vasconcelos, da Trase, destaca que a demanda por cadeias de suprimentos sustentáveis é impulsionada pela crescente conscientização dos consumidores chineses, que estão dispostos a pagar mais por produtos com critérios ambientais. A carne bovina, em particular, é vista como a commodity mais associada ao desmatamento na China, e a pressão por práticas mais responsáveis está aumentando.
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A floresta amazônica, a maior e mais biodiversa do mundo, continua a perder centenas de milhares de hectares de árvores anualmente, com a maior parte da terra transformada em pasto após o desmatamento, conforme monitorado pela MapBiomas.
Novas Exigências e o Sistema de Rastreabilidade Brasileiro
A equipe de Xing Yanling, durante sua visita à fazenda Carioca em Castanhal, no norte da Amazônia, encontrou Altair Burlamaqui, um fazendeiro que demonstrava seu gado e parte de sua vasta reserva de floresta tropical. A delegação ficou tão impressionada que questionou a possibilidade de sua carne ser vendida na China como um produto que ajudasse a proteger a floresta amazônica.
A ideia, embora animadora, também era desconcertante, refletindo a crescente demanda por produtos com rastreabilidade e certificação de sustentabilidade.
O Impacto da Iniciativa de Tianjin
A Abiec, grupo exportador de carne bovina, expressou insatisfação com a iniciativa de Xing, temendo que a demanda por carne sustentável possa ser um obstáculo para um mercado já restrito. A cota de importação de carne bovina imposta pela China em 2026, que visa proteger a indústria nacional, pode atrasar os planos de Tianjin.
No entanto, a iniciativa de Tianjin, com seu compromisso de pagar 10% a mais pela carne de frigoríficos que comprovam a ausência de ligação com o desmatamento, pode ter um impacto significativo se ganhar força. A certificação Beef on Track, desenvolvida pela Imaflora, que avalia a rastreabilidade da carne em quatro níveis, pode se tornar um padrão importante na indústria.
A rastreabilidade, que facilita o trabalho dos órgãos reguladores no rastreamento da origem de surtos de doenças e permite que as empresas deixem de trabalhar com fornecedores envolvidos em crimes ambientais, está sendo vista como uma ferramenta valiosa.
Consumidores chineses estão acostumados a comprar produtos rastreáveis, e a certificação Beef on Track, que é comparável ao padrão utilizado pelo Ministério Público Federal do Brasil, pode criar oportunidades para valorizar a produção brasileira, especialmente em um cenário de tensão geopolítica.
A Imaflora argumenta que a certificação reconhece e valoriza o esforço das empresas em cumprir seus compromissos de sustentabilidade e rastreabilidade.
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