CGN Brasil Alerta: Prejuízos de R$4 Bilhões Revelam Crise no Sistema Elétrico

A diretora jurídica e de compliance da chinesa CGN Brasil, Silvia Rocha, alertou sobre a necessidade de compartilhamento de prejuízos decorrentes dos cortes de geração de energia renovável, conhecidos no setor como “curtailment”. Em entrevista ao programa Alta Voltagem da CNN Infra, Rocha enfatizou que essa situação representa uma falha no sistema elétrico e que a CGN busca soluções em conjunto com o governo e a agência reguladora para minimizar os impactos financeiros, sem repassar esses custos diretamente aos consumidores.
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Discussões sobre Custos e Responsabilidades
Rocha ressaltou que qualquer ineficiência no sistema é compartilhada entre os agentes do setor. A discussão atual gira em torno de como os valores gerados por essa ineficiência serão custeados, buscando evitar que o consumidor final seja afetado.
A expectativa é que parte desses valores seja financiada pelas contas de reservas do sistema, conforme mencionado pela executiva.
Perdas Financeiras da CGN
Os números revelam um cenário preocupante. A CGN registrou perdas de aproximadamente R$ 100 milhões no último ano, devido aos cortes de geração. Além disso, os prejuízos acumulados nos últimos anos ultrapassaram a marca de R$ 4 bilhões. A situação se agrava porque grande parte da energia da empresa está vinculada a contratos no mercado regulado, o que obriga a CGN a comprar energia no mercado para cumprir seus compromissos.
Impacto nos Contratos e Obrigações
Segundo Rocha, cerca de 60% da energia da CGN está comprometida em contratos firmados em leilões promovidos pelo governo federal. Essa situação resulta em uma dupla perda para a empresa: a não produção de energia e a necessidade de comprar eletricidade para honrar os contratos, mesmo que a energia não seja gerada.
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A executiva explicou que esses contratos são resultado de leilões onde o governo convoca as empresas para oferecerem energia, mas a geração é interrompida devido aos cortes.
Propostas de Ressarcimento e Impasses
Uma proposta de ressarcimento às geradoras renováveis foi incluída em uma medida provisória, prevendo o pagamento por meio dos Encargos de Serviço do Sistema (ESS) em troca da desistência das ações judiciais. No entanto, essa proposta foi vetada pelo governo federal, com o argumento de evitar o aumento das tarifas de energia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prometeu um termo de compromisso para solucionar o problema, mas até o momento, nenhuma ação foi tomada.
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