Carl Moon e o YouTube: Crise de Audiência e o Futuro Incerto das Criptomoedas em 2026

Carl Moon enfrenta queda drástica no YouTube após crise no mercado cripto! 📉 Influenciador sueco relata perda de audiência e remoção de canais em abril de

21/05/2026 19:30

6 min

Carl Moon e o YouTube: Crise de Audiência e o Futuro Incerto das Criptomoedas em 2026
(Imagem de reprodução da internet).

Cripto e o YouTube: Uma Nova Realidade para Carl Runefelt

Em 2026, o influenciador sueco Carl Runefelt, conhecido como Carl Moon, enfrentou um cenário no YouTube drasticamente diferente do que havia experimentado desde 2017. O criador, que produzia vídeos sobre criptomoedas, observou uma queda significativa em sua audiência, um fenômeno que ele não previa e que se alinha com uma crise estrutural que afetava todo o ecossistema de criadores de conteúdo no segmento cripto.

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A situação refletia uma realidade complexa, impulsionada por dados, comportamento da plataforma, demissões no setor e tendências de buscas.

Runefelt relatou o momento de forma objetiva ao BeInCrypto, destacando que, mesmo no mercado de baixa de 2018, ele possuía o dobro das visualizações que alcançava atualmente. Essa discrepância, combinada com a apatia crescente do público, apontava para uma mudança fundamental na dinâmica do mercado de criptomoedas e no papel do YouTube como principal canal de descoberta para o varejo nesse setor.

A plataforma, que antes era um espaço vital para a disseminação de informações, passava por sua pior crise até então.

Em abril de 2026, o YouTube removeu diversos canais de cripto, justificando a ação como um combate a conteúdo “nocivo e perigoso”. Essa ação resultou na perda de cerca de 35 milhões de inscritos, incluindo o principal canal do Bitcoin.com, que havia sido ativo desde 2015.

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Para os grandes criadores que permaneceram, a plataforma já não era mais um ambiente confiável, marcando um ponto de inflexão no universo cripto construído no YouTube.

A Pátina da Crise

Runefelt explicou que a restrição não se limitava apenas ao seu canal, observando que muitos outros criadores enfrentavam dificuldades para obter boas visualizações. A plataforma se tornava cada vez mais hostil para os criadores de conteúdo sobre criptomoedas, refletindo uma mudança no cenário do mercado.

A queda na audiência de Runefelt foi ainda mais evidente em seu podcast, o Matt Haycox Show, no final de 2025. Em 2021, seus vídeos alcançavam entre 100 mil e 200 mil visualizações, enquanto, no início de 2026, com o Bitcoin negociado próximo a US$ 76.500, essa faixa havia caído para cerca de 15 mil a 20 mil visualizações por vídeo.

Essa diferença significativa em relação ao auge do mercado de 2018 representava um novo patamar estrutural, indicando uma retração que ia além de uma simples correção de mercado de baixa.

Diversificação e Novos Horizontes

Diante desse cenário, Runefelt decidiu diversificar seus interesses profissionais. Ele contou ao BeInCrypto que agora dedicava mais energia ao automobilismo e à música, além de continuar investindo em startups por meio do TheMoon Group, que já havia apoiado mais de 350 iniciativas.

Essa mudança de foco refletia uma avaliação racional da situação e um desejo de aproveitar outras oportunidades, longe do universo cripto.

“A vida é curta demais para ficar enfrentando mercados de baixa o tempo todo”, declarou Runefelt, enfatizando que ele não estava abandonando a cripto, mas sim buscando um equilíbrio entre seus interesses e a realidade do mercado. Ele continuava publicando com regularidade e investindo em startups, mas com uma perspectiva mais ampla e diversificada.

A Mensuração da Apatia

A queda da audiência não era apenas uma percepção subjetiva, mas também uma métrica mensurável. Benjamin Cowen, fundador do Into The Cryptoverse, havia criado o gráfico de Social Risk do Bitcoin, que coloria historicamente o preço do ativo conforme a intensidade do engajamento nas redes sociais.

Nos ciclos de 2017 e 2021, o gráfico apresentava tons vermelhos e alaranjados, indicando alto engajamento do público. O pico de 2025, mesmo com preços mais elevados do Bitcoin, aparecia em azul frio, sinalizando baixo envolvimento.

Cowen analisou que o ciclo atual atingiu o topo devido à apatia, e não à euforia. A consequência para os criadores de conteúdo era direta: não houve um pico eufórico de audiência, o que significava que o número de visualizações que sustentava planejamentos de negócios em 2021 talvez não fosse uma exceção histórica, mas sim uma pausa de mercado de baixa.

Dados do Google Trends reforçavam a mesma conclusão. O interesse global de buscas por “Bitcoin” permaneceu próximo das mínimas de um ano durante boa parte do início de 2026, mesmo com o preço à vista bem acima de US$ 70.000.

A Retração do Setor

A situação se estendeu além dos criadores de conteúdo, afetando exchanges e outras empresas do setor. Runefelt observou que até as exchanges, que normalmente lucram, enfrentavam dificuldades, promovendo demissões em massa e até declarando falência.

Os dados refletiam essa percepção, com anúncios de cortes de vagas em empresas como Coinbase, Crypto.com e outras.

Em maio de 2026, a Coinbase anunciou o corte de 700 vagas, o equivalente a 14% da equipe, após um prejuízo líquido de US$ 667 milhões no quarto trimestre de 2025 e uma queda de 21,6% na receita em relação ao ano anterior. A Crypto.com anunciou sua própria redução de 12% do quadro de funcionários em março de 2026, eliminando cerca de 180 posições.

A exchange de menor porte, Bit.com, confirmou encerramento gradual das operações entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Além das plataformas de negociação, a retração se espalhou por todo o mercado de trabalho cripto. Anúncios de vagas na área cripto caíram cerca de 80% em comparação anual, com cortes relevantes em empresas como Gemini, Algorand, Block, MARA Holdings, OKX, MANTRA, Polygon Labs e Messari, ampliando o impacto iniciado nas exchanges.

A queda tem natureza estrutural, não sazonal. David Wulschner, apresentador do canal Crypto Familie, enxergava as mesmas condições por outra ótica. Ele lançou seu canal em meados de 2022, próximo ao fundo do ciclo anterior. “… Iniciei meu canal em meados de 2022, quando de fato estávamos no pior momento do ciclo, e aquilo foi muito divertido.” O maior desafio para novos criadores durante este mercado de baixa não tem sido a redução de visualizações, mas a pressão emocional vinda da comunidade. “… O que pesou para mim, como novo produtor de conteúdo neste mercado de baixa, foram as emoções, as reações recebidas, e tudo que a comunidade te direciona.”

Enquanto Runefelt classificou a redução de canais sobre cripto no YouTube como um ajuste estrutural, ambos chegaram à mesma conclusão por caminhos distintos, tratando o cenário atual como um reinício, não um encerramento.

“Esse tipo de movimento é necessário para eliminar os problemas, os golpes e todos que não compartilham da visão. Muitos estão aqui apenas pelo dinheiro rápido. Então, se livrar disso antes do próximo ciclo é apenas parte do processo.”

Os criadores que conseguirem sobreviver a este ciclo provavelmente serão aqueles capazes de adaptar o modelo de negócios para níveis de audiência abaixo dos de 2018, diversificar o conteúdo para além de previsões de preço e especulação, ou, como faz Runefelt, ampliar a identidade para muito além do rótulo de criador cripto.

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