Câmara Aprova PNMCE com Mudanças Cruciais que Impactam o Setor Privado

Câmara aprova PNMCE com mudanças polêmicas! 💰 Deputado Arnaldo Jardim flexibiliza controle governamental sobre mineradoras. Saiba mais!

06/05/2026 21:11

3 min

Câmara Aprova PNMCE com Mudanças Cruciais que Impactam o Setor Privado
(Imagem de reprodução da internet).

PNMCE: Câmara Aprova Marco com Modificações Importantes

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (6), o Projeto de Lei que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A aprovação representa um marco importante, mas com nuances que visam equilibrar os interesses do governo e do setor privado.

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O texto, relator do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), busca estimular o beneficiamento, a transformação mineral, a industrialização e a agregação de valor no território nacional, com foco em minerais considerados críticos para a economia e a segurança do país.

Uma das principais mudanças reside na flexibilização do controle governamental sobre operações societárias envolvendo mineradoras. Inicialmente, o projeto previa a necessidade de anuência prévia do Executivo em fusões, aquisições e outras mudanças de controle em empresas detentoras de direitos minerários.

Essa exigência gerava preocupação no setor privado, que temia um excesso de burocracia e insegurança jurídica. Após intensa pressão, o relator retirou essa exigência, substituindo-a por uma etapa de homologação, conduzida pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

CIMCE e ANM: Novos Papéis e Responsabilidades

O CIMCE, agora vinculado à Presidência da República, terá a responsabilidade de coordenar a política, definir prioridades e orientar instrumentos voltados à industrialização de minerais críticos. A ANM continuará a desempenhar um papel importante na regulamentação do setor, com a criação de um regulamento que definirá os critérios e prazos para a homologação das operações.

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A mudança representa um esforço para evitar que o governo exerça um poder excessivo de veto sobre negócios privados, ao mesmo tempo em que garante uma etapa formal de acompanhamento estatal sobre operações consideradas sensíveis.

Exportações e Restrições Indiretas

O texto também estabelece que o governo poderá impor restrições indiretas à exportação de minerais críticos, por meio de parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor vinculados à venda externa. Essa medida visa evitar que o Brasil repita o padrão histórico de exportar produtos de menor valor agregado e importar tecnologia.

A redação suavizada em relação à versão anterior, que previa “condicionantes” vinculadas à exportação, busca equilibrar a necessidade de controlar o fluxo de minerais estratégicos com a importância do comércio internacional.

Incentivos e Instrumentos Financeiros

Para estimular projetos que avancem no beneficiamento e na industrialização de minerais críticos no Brasil, a proposta cria instrumentos fiscais e financeiros, como o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), que concederá crédito fiscal a projetos prioritários.

Também são previstos debêntures incentivadas, enquadramento de projetos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI) e mecanismos voltados à mineração urbana, reciclagem mineral e produção mineral de menor intensidade de carbono.

O Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) será utilizado para oferecer garantias e reduzir riscos de crédito em projetos minerais.

Disputa Política e Equilíbrio entre Interesses

A aprovação do PL foi resultado de uma intensa disputa política entre governo, setor privado e parlamentares. Enquanto uma ala do governo defendia maior controle estatal sobre ativos estratégicos, outra avaliava que um poder amplo de veto poderia afastar capital privado.

O setor privado pressionou para retirar a anuência prévia e evitar que o conselho se transformasse em uma espécie de instância autorizadora de negócios empresariais. O resultado final representa um meio-termo, buscando equilibrar a coordenação estatal com a abertura de mercado e os incentivos ao setor privado.

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