Brasil enfrenta desafios na governança territorial com novo projeto de lei sobre minerais críticos

Projeto de Lei expõe fragilidade da governança territorial do Brasil! Desafios na segurança fundiária e coordenação institucional surgem após colaboração

10/05/2026 06:03

3 min

Brasil enfrenta desafios na governança territorial com novo projeto de lei sobre minerais críticos
(Imagem de reprodução da internet).

Projeto de Lei sobre Minerais Críticos Revela Desafios na Governança Territorial do Brasil

O debate em torno do projeto de lei sobre minerais críticos, impulsionado pela colaboração entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, expõe uma questão central no cenário nacional: a fragilidade da governança territorial. Apesar de possuir vastas reservas de terras-raras e minerais estratégicos, o Brasil enfrenta desafios significativos em relação à segurança fundiária e à coordenação institucional.

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Complexidades na Regulação Minerária

Especialistas apontam que a Constituição já estabelece um controle rigoroso sobre a exploração mineral, reconhecendo a importância dos recursos para a soberania econômica e o desenvolvimento nacional. No entanto, a dificuldade reside em transformar a legislação em uma organização territorial eficaz.

A mineração exige a convergência de diversos elementos, como títulos minerários, licenciamento ambiental, regularidade dominial e compatibilização com áreas protegidas. A falta de integração entre esses aspectos gera insegurança, que se manifesta não apenas em questões registradas, mas também em processos legais.

O constitucionalista e criminalista Adib Abdouni ressalta que o problema não reside na ausência de legislação, mas na dificuldade de implementar um sistema de governança territorial robusto. Ele enfatiza a necessidade de um conselho efetivo e de instrumentos de governança que garantam o controle público sobre os recursos minerais.

Impacto da Disputa Geopolítica

O diretor-executivo da R. Torsiano Consultoria Agrária, Ambiental e Fundiária, Richard Torsiano, destaca que o avanço do projeto de lei reflete a crescente pressão geopolítica internacional por minerais estratégicos. A guerra na Ucrânia e a disputa global por esses recursos intensificaram o interesse do Brasil nesse tema.

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Torsiano acredita que o país possui tradição e capacidade técnica na área geológica, mas enfrenta uma “debilidade fundiária” que precisa ser superada.

Para Torsiano, a solução passa por avançar em inteligência territorial, integração cadastral e coordenação entre órgãos públicos, visando evitar conflitos futuros. Ele defende um mapeamento claro e transparente das áreas de interesse, com plataformas integradas que permitam ao Estado conhecer, controlar e gerir esses territórios de forma eficiente.

Preocupações e Perspectivas Futuras

O especialista alerta que o desafio não se limita à aprovação do projeto de lei. Sua principal preocupação é o “after”, ou seja, o que acontecerá após a aprovação. Ele questiona se haverá instrumentos efetivos de governança e o papel do conselho a ser criado.

Torsiano defende uma atuação “prospectiva e preventiva” do Brasil, evitando a atuação tardia após a ocorrência de conflitos. Ele enfatiza a importância de envolver todos os órgãos que lidam com afetações territoriais para mitigar conflitos antes que eles se instalem.

Apesar das preocupações, Torsiano avalia que o risco de reprodução do modelo de expansão ilegal observado no garimpo de ouro é menor no caso das terras-raras, devido à complexidade da exploração desses minerais. Ele ressalta a necessidade de presença estatal robusta e integração entre bases fundiárias, ambientais e minerárias, buscando evitar um modelo puramente exportador de commodities.

Ressalvas e Considerações Finais

O especialista sugere que o Brasil deve estimular o processamento, refino e industrialização das terras-raras dentro do território nacional, visando exportar produtos fabricados e não apenas matéria-prima. Essa abordagem, segundo ele, evitaria que o país retornasse a um modelo de dependência como exportador de commodities.

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