Artemis 2 e a Nova Corrida Espacial: O que muda em 2028?

Artemis 2 e a disputa espacial reacendem a rivalidade global! Saiba como o “comando dos comuns” molda o futuro lunar e a geopolítica até 2028.

25/04/2026 07:09

4 min

Artemis 2 e a Nova Corrida Espacial: O que muda em 2028?
(Imagem de reprodução da internet).

A Nova Corrida Espacial: Artemis, Recursos e Geopolítica

A comunidade internacional observou com grande interesse a missão Artemis 2 da Nasa, que levou a cápsula Orion ao espaço. O foco principal dessa jornada foi orbitar a Lua e capturar imagens da face oculta do satélite natural. Este evento marca um retorno significativo, ocorrendo 54 anos após a Apollo 17, a última missão humana à superfície lunar, realizada em 1972.

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As projeções apontam que, em 2028, a Nasa planeja a missão Artemis 4, visando não apenas um novo pouso lunar, mas também o início da construção de uma estação espacial até 2030. No entanto, o ressurgimento do esforço de colonização lunar ocorre em um contexto de intensa disputa entre as maiores potências mundiais, reacendendo a antiga corrida espacial.

O Comando dos Comuns e a Preponderância Global

Um cientista político argumenta que, para exercer poder hegemônico militarmente, uma nação deve controlar o domínio marítimo, aéreo e espacial, o que ele denomina “comando dos comuns”. Isso implica que a potência dominante precisa de força militar para assegurar o acesso a esses domínios e, simultaneamente, restringir o acesso de terceiros.

Essa capacidade é um reflexo direto da preponderância militar e tecnológica de um poder em nível internacional. Historicamente, os Estados Unidos utilizaram o comando dos comuns como um pilar de sua hegemonia global. Durante a Guerra Fria, a disputa espacial foi um elemento central no confronto entre EUA e URSS pela supremacia mundial.

Da Sputnik à Guerra nas Estrelas

A disputa começou quando a União Soviética lançou o Sputnik em 1957. Posteriormente, os Estados Unidos intensificaram a corrida, culminando no pouso humano na Lua em 1969. Embora tenha havido discussões sobre a militarização do espaço naquele período, isso não se concretizou.

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Um marco posterior foi o lançamento, em 1983, da iniciativa do governo Reagan, conhecida como Guerra nas Estrelas, que visava instalar um sistema antimísseis no espaço. Apesar de ser uma tentativa de domínio espacial, esse esforço gerou avanços tecnológicos cruciais, como sistemas de navegação e comunicação por satélite, usados até hoje em fins civis.

Novas Fronteiras: Recursos e Exploração

Atualmente, a competição espacial transcendeu o caráter puramente militarista, incorporando dimensões inéditas, como a potencial exploração de recursos minerais na superfície lunar ou em outros corpos do sistema solar. Analistas consideram que vivemos um momento histórico singular, pois alcançamos a exploração da última fronteira de recursos terrestres.

O esgotamento dos recursos da Terra impulsiona a exploração espacial em busca de materiais que supram a crescente demanda humana. Um dos objetivos centrais da ocupação lunar é acessar o hélio-3, um elemento raro na Terra, mas vital para a tecnologia de fusão nuclear, podendo ser crucial na transição energética.

Potenciais Minerais e o Olhar para Marte

Além do hélio-3, outros recursos valiosos como platina, paládio e irídio podem ser encontrados na Lua. Espera-se que a mineração lunar gere um impacto significativo. Ademais, a construção de uma base lunar é vista como um trampolim estratégico para a exploração de outros planetas, com foco especial em Marte.

A China como Rival Espacial Emergente

Atualmente, a China se estabeleceu como o principal competidor dos Estados Unidos na corrida espacial. O país já opera sua própria estação espacial, a Tiangong, e possui um vasto arsenal de satélites de comunicação e localização, incluindo seu sistema de navegação BeiDou, com 55 satélites próprios.

O programa espacial chinês também desenvolveu naves Shenzou, transportando astronautas chineses ao espaço desde 2003. Com o programa Chang’e, a China planeja pousar na Lua e iniciar bases lunares em colaboração com a Rússia até a década de 2030.

Além disso, já realizou missões não tripuladas, pousando robôs e instalando satélites no lado oculto da Lua.

Desafios Geopolíticos e o Futuro do Direito Espacial

Diante desse cenário, a exploração comercial de recursos espaciais ganha destaque, tornando-se uma possibilidade real no médio prazo. A intensificação das missões e o possível estabelecimento de bases terão profundos impactos econômicos e na disputa por recursos.

A exploração espacial pode acelerar a transição energética global, fomentando o desenvolvimento de tecnologias limpas. Contudo, a nova disputa espacial levanta questões complexas para a política internacional, especialmente porque a cooperação multilateral encontra-se enfraquecida pelas rivalidades de poder.

Dilemas como a titularidade dos recursos lunares, as regras de divisão da exploração e o uso militar do espaço precisam ser definidos. Embora a ONU seja o fórum ideal para criar normas, as tensões geopolíticas têm levado os EUA a firmar tratados bilaterais, como os estabelecidos em 2020, definindo parâmetros para a exploração lunar com parceiros e empresas privadas.

A exploração espacial oferece avanços tecnológicos imensos para a humanidade, mas a disputa por hegemonia pode tingir esse avanço com tons sombrios, transformando o espaço em um novo e importante palco de competição global.

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