Alerta Abbas: Endividamento Familiar Ameaça Atacarejo e Consumo Nacional

Endividamento familiar causa alerta no atacarejo! Abbas chama atenção para crise e seus impactos no consumo nacional. Vice-almirante Alckmin recebe alerta.

04/05/2026 22:30

3 min

Alerta Abbas: Endividamento Familiar Ameaça Atacarejo e Consumo Nacional
(Imagem de reprodução da internet).

Endividamento Familiar Ameaça ao Setor de Atacarejo e ao Consumo Nacional

A Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abbas) emitiu um alerta sobre a crescente crise de endividamento entre as famílias brasileiras e seus impactos negativos no setor de atacarejo e no consumo nacional. Em uma apresentação ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a entidade ressaltou que a situação econômica do país está se tornando cada vez mais delicada devido ao comprometimento da renda da população.

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O Atacarejo como Indicador da Economia

A Abbas destaca que o setor de atacarejo possui uma posição única para identificar as mudanças no comportamento de consumo das famílias, muitas vezes antes que elas se manifestem nos dados oficiais. Com uma presença marcante em 76% dos lares brasileiros e responsável por 52% do varejo alimentar moderno, o atacarejo é um canal crucial para o abastecimento alimentar do país.

Em 2025, as 24 redes associadas à Abbas registraram um faturamento de R$ 369,5 bilhões.

Divisão no Consumo e o “Efeito K

Com base em dados do Banco Central, da CNC e da Serasa, a entidade aponta para um cenário preocupante de endividamento e inadimplência, que se traduz em uma divisão no padrão de consumo. O chamado “efeito K” se intensificou, com canais de alta renda apresentando crescimento enquanto o pequeno varejo, associado à baixa renda, registra retração.

No quarto trimestre de 2025, o varejo moderno avançou 4% em volume, enquanto o pequeno varejo caiu 9,6%, segundo dados da NielsenIQ.

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Fatores Além dos Preços

A Abbas argumenta que a queda no consumo da população de menor renda não se deve apenas à variação dos preços dos alimentos, que, aliás, ficaram mais baratos em 2025. A entidade acredita que o principal problema é o comprometimento da renda por dívidas.

Além disso, a associação observa o avanço das apostas online, com 2,7 bilhões de acessos mensais a plataformas regulamentadas entre maio e junho de 2025.

Apostas Online e Restrições

A entidade aponta para o fluxo de recursos via Pix direcionado a apostas ilegais e defende que medidas de combate ao endividamento devem ser combinadas com restrições mais amplas ao mercado de apostas, especialmente no ambiente digital. A Abbas propõe bloqueio de URLs, restrições a chaves Pix ligadas a bets ilegais, responsabilização de plataformas por anúncios de sites não autorizados e limitações à publicidade de cassino online.

Desenrola 2.0 e a Necessidade de Ações Estruturais

O programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo, é visto pela Abbas como um avanço, mas com alcance limitado. Apesar de oferecer descontos em dívidas, juros máximos de 1,99% ao mês, uso de parte do FGTS para renegociação e bloqueio de um ano em bets para beneficiários, a entidade ressalta que a restrição às apostas se aplica apenas aos participantes do programa, deixando milhões de brasileiros expostos ao problema.

Propostas da Abbas: Agenda de Combate ao Endividamento

A Abbas propõe uma agenda em dois horizontes: medidas imediatas, nos próximos 12 meses, para conter apostas ilegais, limitar publicidade de cassinos online e estabelecer um teto progressivo para o consignado; e ações estruturais, em prazo de 5 a 10 anos, inspiradas na política de combate ao tabagismo, com campanhas nacionais, advertências obrigatórias e tratamento da ludopatia pelo SUS. A entidade enfatiza que o tema deixou de ser apenas econômico e se tornou também de saúde pública, ressaltando que “a roda da economia só gira se o consumo voltar a quem mais precisa consumir”.

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