Abimaq alerta: Redução da jornada ameaça produtividade e emprego no Brasil?

Impactos da Redução da Jornada de Trabalho na Indústria Brasileira
José Veloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), expressou preocupações significativas sobre a redução da jornada de trabalho. Ele avalia que tal mudança poderia afetar negativamente a produtividade nacional e, consequentemente, levar a demissões após sua implementação.
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A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deu parecer favorável na noite de quarta-feira, 22, à proposta de emenda constitucional que estabelece a escala de seis dias de trabalho e um dia de descanso. O texto seguirá para uma comissão especial, que definirá os detalhes da alteração de carga horária e possíveis compensações.
Argumentos Contra a Redução da Jornada
Em conversa com a EXAME, durante a feira na Alemanha, Veloso focou sua argumentação na redução da jornada, e não na escala 6×1. Ele argumentou que a diminuição da jornada elevaria os custos operacionais, reduziria a produtividade e, por fim, diminuiria a competitividade do país, o que poderia precarizar o emprego.
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Segundo ele, essa situação faria com que os produtos ficassem mais caros, enquanto o salário do trabalhador diminuiria. Ele criticou a ideia de que a redução da jornada não deveria implicar corte salarial, mencionando o conceito de turnover, ou seja, a rotatividade de funcionários.
A Questão do Turnover e Custos
Veloso explicou que o turnover ocorre em todos os setores, como indústria e comércio. Ele citou o exemplo de municípios com sindicatos fortes que aumentam salários acima da inflação, sem um aumento correspondente na produtividade, forçando as empresas a lidar com alta rotatividade.
Ao comparar com o trabalho doméstico, ele observou que a maior regulamentação, como a implementação do eSocial, elevou os encargos. Isso levou, segundo ele, parte das famílias a optarem por contratar diaristas sem registro, em vez de manter empregadas domésticas formalizadas.
Produtividade e Modelo de Trabalho Ideal
O presidente da Abimaq ressaltou que o setor industrial já está acostumado com a escala 5×2, mantendo jornada de 44 horas semanais. Ele enfatizou que o aumento da produtividade depende fundamentalmente do nível de automação e da quantidade de máquinas em cada nação.
Veloso apresentou dados comparativos alarmantes, apontando que o Brasil possui apenas 10 robôs a cada 10 mil trabalhadores, enquanto na Alemanha, nos Estados Unidos e na China, o número é significativamente maior, e a Coreia do Sul registra 1.050 robôs por 10 mil trabalhadores.
Defesa do Modelo de Remuneração
Por fim, Veloso defendeu que o Brasil deveria adotar um modelo de trabalho baseado em dias ou semanas, em vez do atual sistema mensal. Ele sugeriu a possibilidade de remuneração horária, como é comum em outros países.
Ele ilustrou com o exemplo de uma farmácia que opera em horários específicos, argumentando que a livre negociação de serviços, como o contrato de um funcionário para um período determinado, reflete um livre mercado mais adaptável às necessidades econômicas.
Conclusão sobre a Flexibilização do Trabalho
Em resumo, a visão apresentada por Veloso aponta que, embora reconheça a importância do tempo em família, qualquer mudança trabalhista deve ser analisada sob a ótica da sustentabilidade econômica e da produtividade real. A adaptação do mercado deve priorizar a eficiência e a capacidade de negociação livre.
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